Constantino: Guerra entre mídia e Bolsonaro gera mais instabilidade no Brasil

  • Por Jovem Pan
  • 30/10/2019 11h03
Reprodução/FacebookBolsonaro fez críticas à Rede Globo em live nesta terça-feira (29)

Registros da portaria do Condomínio Vivendas da Barra, no Rio de Janeiro, onde mora o presidente Jair Bolsonaro (PSL), apontam que Élcio de Queiroz, um dos suspeitos de envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco, entrou no local no dia do assassinato, em 14 de março de 2018, dizendo que iria para a casa do então deputado. A informação foi veiculada pelo Jornal Nacional, da TV Globo.

“Era muito daquilo que uma ala bolsonarista queria, para atacar, de vez, a imprensa como um todo, e declarar guerra – principalmente a Rede Globo. Eu acho que, do ponto de vista jornalístico, é uma decisão difícil, porque a Globo, de fato, teve acesso ao relato do porteiro, não foi ela quem inventou o relato. É um furo de reportagem mas talvez careca de evidências mais sólidas – tem só o relato de um porteiro que não bate, inclusive, com o fato que foi verificado na reportagem: o presidente não poderia ter atendido, como diz o porteiro, porque ele estava em Brasília. Então dado o impacto que isso poderia causar, talvez coubesse, ali, uma decisão mais prudente do veículo de comunicação, mas óbvio que estão atirando no mensageiro.

Eu acho que a palavra de ninguém deve ser tomada como verdade definitiva, isso tudo exige maiores investigações, até porque obviamente outra pessoa pode ter liberado a entrada em nome do Bolsonaro, o porteiro pode estar mentindo, ele pode ter se enganado, então tem várias possibilidades. Falta um pouco de lógica, também, para saber por qual motivo o Élcio teria dar o endereço do Bolsonaro para ir na casa do Ronnie Lessa, em vez de ir direito.

Então, sim, tem coisas esquisitas e eu acho que precisa ser mais investigado, mas já gerou uma guerra de morte entre Rede Globo e Bolsonaro – ele gravou uma live descontrolado e a sua militância está, realmente, em polvorosa, e tudo isso vai gerar um clima de maior instabilidade no país. Era tudo o que a gente não precisava nesse momento e que, repito, a área mais assanhada do bolsonarismo queria.

Eu só lamento uma coisa: estamos vendo Marina Silva, PSOL, toda essa turma da esquerda e extrema-esquerda falando que o fato é gravíssimo, cobrando explicações. Eu adoraria ter visto a mesma pressão quando – o fato é recente – o operador do Mensalão, Marcos Valério, disse que pagou – e de fato há provas disso- para um chantagista que estava ameaçando dizer que Lula era o mandante do assassinato do ex-prefeito Celso Daniel. Ou seja: nesse momento nós não vimos certos veículos dando a mesma relevância e políticos e formadores de opinião da esquerda cobrando as mesmas explicações. Então fica claro um peso, duas medidas, esse duplo padrão eterno que nós acompanhamos no Brasil.

Para concluir, acho que o que temos até aqui é muito pouco para envolver o presidente, mas o estrago, do ponto de vista da narrativa, está feito. É grave que seja feito dessa forma, porque o país está precisando de um pouco de tranquilidade para avançar com suas pautas, mas o estrago está feito”, disse Constantino.