Constantino: O establishment do bolsonarismo virou as elites do petismo

  • Por Rodrigo Constantino/Jovem Pan
  • 20/05/2019 09h41
Alan Santos/PRBolsonaro é o grande líder ético inimigo do tal establishment

O ambiente político brasileiro está contaminado pelo cansaço de muitos com o que se chama establishment. A indignação é compreensível, mas o uso que o bolsonarismo faz dela é no mínimo arriscado.

O establishment do bolsonarismo virou as elites do petismo. O autor do texto que o presidente divulgou é da CVM. Establishment? Moro era juiz. Establishment? Mentes binárias ignoram nuances…

Bolsonaro, que foi deputado do baixo clero por quase 30 anos e tem os três filhos na esteira do seu nome como políticos, inclusive um vereador que pensa ser ministro e outro senador com fortes indícios de praticar a “rachadinha” no seu gabinete, é o grande líder ético inimigo do tal establishment; mas críticos que nunca quiseram trabalhar em governo na vida, que têm diferentes empregadores na iniciativa privada, que sempre pregaram menos estado, viram ícones do “centrão” fisiológico e do tal establishment, só porque não concordam com a postura radical do bolsonarismo, que julgam suicida.

Como liberal-conservador, considero os MEIOS mais importantes do que os fins. Todo autoritário apela para seu “fim nobre” para justificar o autoritarismo. Os nacional-populistas influenciados por Steve Bannon alegam que estamos numa guerra cultural (verdade) para defender o direito de usar os MESMOS MÉTODOS dos inimigos de esquerda, mas isso é inaceitável para conservadores. Afinal, seria uma vitória de Pirro. Se vamos virar socialista com sinal trocado, então já perdemos…

Temos visto muita falácia do espantalho, quando se ataca um inimigo imaginário, ou uma falsa dicotomia: se você discorda dos métodos revolucionários dos olavistas, então você está satisfeito com as instituições, defende Maia e adora Toffoli.

Besteira! Os liberais e conservadores que estão contra esse “protesto governista” repudiam o fisiologismo também, mas entendem que as soluções precisam ocorrer de dentro do sistema, não por meios revolucionários.

Quem não aceita essa visão se mostra intolerante e arrogante, ao falar como se fosse a única “direita verdadeira”. Mais humildade faria bem a essa turma…