Samy Dana: Sob ameaça, agronegócio puxa exportações

Apesar da crise gerada pelo coronavírus, os números do setor apontam para um ano positivo

  • Por Samy Dana*
  • 28/07/2020 07h14 - Atualizado em 28/07/2020 07h16
PixabayAmeaças ao setor do agronegócio têm um grande impacto na economia como um todo

Nas últimas semanas, o país assistiu à romaria de executivos brasileiros e gestores de fundos estrangeiros pressionando o governo por temor de ameaças à economia brasileira. O medo está ligado ao aumento do desmatamento na Amazônia. Em última instância, mercados podem se fechar para o agronegócio, acusado de contribuir com queimadas e derrubada da floresta. E, também, por pressão dos acionistas de fundos trilionários, investimentos podem deixar de vir para o país. De investimentos, falamos outra hora. Hoje vamos olhar o agronegócio. Qualquer boicote é prejudicial.  Porém, se alguém ainda tinha dúvida da importância do setor para o país, os números divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério da Economia demonstram o quanto qualquer ameaça deve ser levada a sério. O agronegócio puxou o salto nas exportações brasileiras no ano.  Até este domingo, contabilizadas as quatro semanas de julho, as exportações chegaram aos R$ 28,749 bilhões. No mesmo período de 2019, foram  R$ 27,978 bilhões.  O saldo da balança comercial registrou uma alta de 2,8%.

Balança comercial – 2020

Total                           +2,8%

Agronegócio               +23,8%

Id. extrativa                -9,6%

Ind. transformação     -15,1%

 

Já o crescimento das vendas do agronegócio para o exterior foi de 23,8%. A indústria extrativa, que produz matérias-primas como o petróleo, registrou recuo de 9,6% nas exportações, enquanto a indústria de transformação registrou queda de 15,1%. No primeiro semestre, segundo a consultoria Cogo, que trabalha dando apoio ao setor, o agronegócio foi responsável por mais de 50% das exportações brasileiras. No ano passado, essa participação foi de 43%.

Apesar do coronavírus, os números apontam para um ano positivo. O superávit comercial deve atingir quase US$ 94 bilhões. E de onde vem a alta? As exportações de soja pelo porto de Paranaguá aumentaram 59%. O acumulado no ano é de 70 milhões de toneladas.No ano passado, a essa altura, estava em 48 milhões.  O apetite da China por produtos brasileiros continua em alta. O país asiático também antecipou compras, temendo que a epidemia de covid-19 aqui no Brasil afetasse as exportações. Não aconteceu e as vendas ainda cresceram.

O saldo da balança comercial caminha para superar os US$ 55 bilhões, revertendo o resultado ruim do ano passado, de R$ 46 bilhões. Uma demonstração de força do agronegócio brasileiro. Mas também um alerta: ameaças ao setor têm um grande impacto na economia como um todo.

*Samy Dana é economista e comentarista da Jovem Pan