Diagnóstico rápido e introdução de antiviral reduzem sintomas do vírus da Influenza H3N2

Sintomas são similares aos da Covid-19, por isso é necessário exame laboratorial para a confirmação; idosos merecem atenção redobrada pelo risco de poder evoluir para quadros de pneumonia severa

  • Por Sergio Cimerman
  • 22/12/2021 10h00
REGINALDO PIMENTA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDORio de Janeiro e São Paulo vivem surto de gripe com nova cepa

Estamos chegando a mais um término de ano ainda com muitas incertezas e informações falsas por todos os lugares em qualquer hora ou dia. Brigas políticas acerca de vacinas contra a Covid-19 e, neste momento, relacionadas às crianças. Já mencionei isso diversas vezes e volto a reiterar: os benefícios superam quaisquer riscos. A Anvisa aprovou, pautada em ciência, a vacina da Pfizer e a norma deveria ser cumprida, porém várias artimanhas políticas nos bastidores irão atrasar em demasia esta conduta acertada e embasada por todas as sociedades científicas nacionais e internacionais. Se não bastasse esse entrave, estamos vivendo um período atípico já com surto que poderá virar uma epidemia: a da influenza tipo A (H3N2), que já domina os prontos-socorros em atendimento, principalmente nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. A vacina que tomamos em 2021 não contempla a cepa Darwin, que está circulando neste momento, e só vai entrar na composição do imunizante no próximo ano. É um fato fora da sazonalidade e extremamente desafiador aos médicos, em plena vigência da variante Ômicron, que ainda não apresenta dados robustos de seu comportamento.

Pela falta de informação desta H3N2, creio ser prudente comentar que os sintomas clínicos são muito similares aos da Covid-19, sendo necessário exame laboratorial para confirmar. A clínica mostra, como principais sintomas, febre que pode variar de baixa a alta, dores pelo corpo, dor de cabeça persistente, dor de garganta. Aqui um ponto importante: se o diagnóstico for feito em até 48 horas, a introdução de um antiviral que tem fosfato de oseltamivir (Tamiflu) a cada 12 horas por cinco dias poderá reduzir os sintomas por 1 a 2 dias auxiliando no restabelecimento mais rápido da pessoa. A enfermidade deverá deixar o indivíduo acometido e isolado por cinco dias para que não transmita para outras pessoas – e deve ser cumprido e respeitado, para evitar mais transmissões. Álcool em gel e máscaras são fundamentais também nesta doença. Dúvidas quanto a esquemas preventivos em contactantes próximos com o antiviral ficam em discussão da família e médico para encontrar uma decisão final. Os idosos merecem uma atenção a mais, pelo risco de poder evoluir com quadros de pneumonia severa e, até, a óbito. E, se não bastasse tudo, casos aflorando também nas crianças, em sua maioria de vírus sincicial respiratório com internação hospitalar prolongada com complicações de pneumonia. E, se nada fosse pior, estamos observando em adultos casos prolongados também, porém com menor magnitude que em nossos pequenos.

Espero que o Papai Noel possa nos trazer mais esperança neste ano que se aventura em 2022. Ainda estamos longe de vivermos os tempos do passado, mas sabendo que o aprendizado da Covid-19 trouxe muitos ensinamentos e resiliência às pessoas. Não vejo o momento de podermos brindar sem medos ou angústias. Que possamos seguir nossas vidas como antes. Que possamos voltar a ser felizes e socializar. Seria o melhor presente que poderíamos ter em 2022. Que venha o novo ano, que traga esperança à nossa população, que não politizemos a saúde e que possamos orientar o povo sem medos ou retaliações. Venha lindo 2022!

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.