Hepatite misteriosa surge na Europa e deixa autoridades brasileiras de sobreaviso

Possibilidade de ter como origem um adenovírus é a mais provável, mas ainda faltam dados robustos que confirmem esta hipótese

  • Por Sergio Cimerman
  • 04/05/2022 20h27
DCStudio - br.freepik.com Pediatra recebe criança e sua mãe no consultório médico Casos de crianças com quadros agudos e severos de hepatite de etiologia desconhecida assustam a Europa

As doenças infecciosas estão em constante ebulição. Se não bastasse a Covid-19, que nos atormenta por mais de dois anos, somos notificados de casos na Europa de crianças com quadros agudos e severos de hepatite de etiologia desconhecida. Que fase o mundo vive! Tudo começou no Reino Unido, no início de abril, quando foram excluídas causas de hepatites virais sabidamente conhecidas pela comunidade médico-cientifica. Sintomas e sinais de doença grave e aumento de enzimas hepáticas nos exames de laboratório acenderam várias interrogações para os cientistas. A partir daí, vários outros casos começam a surgir pela Europa, Estados Unidos e Israel

O quadro clínico aponta para icterícia (amarelo nos olhos), vômitos, febre, dor abdominal, mialgia e letargia dentre os principais sintomas encontrados na população acometida. Há fortes suspeitas, mas nada concluído realmente. Já existem por volta de 170 casos desta nova enfermidade. A possibilidade de ter como origem um adenovírus parece ser a mais provável, mas ainda faltam dados robustos que confirmem esta hipótese. 

Os negacionistas, logo no início, incitam que o problema vem das vacinas administradas desde o surgimento da Covid-19. Bobagem. Não existem relatos de nenhum imunizante que leve a hepatite deste modo. No Brasil, ainda não há reporte de qualquer caso, mas a vigilância esta atenta. Se for confirmado o adenovírus, não existe um tratamento medicamentoso específico, mas, sim, podemos oferecer suporte ao paciente como medida inicial. Este vírus circula o ano todo entre nós e, principalmente no Brasil, foi detectado entre abril-maio e julho-outubro em alta circulação, mas sem levar a uma grande repercussão. Vamos ter de nos acostumar com doenças novas e difíceis de tratamento.

 Voltando para nossa Covid-19, o número de casos e de internações hospitalares tem diminuído muito. Fruto da vacinação, que não pode parar. Em um mundo já tomado pela Ômicron e sua variação B.A.2, a terceira dose se faz obrigatória devido à queda de proteção com apenas duas doses. Inúmeros trabalhos já publicados apontam para esta necessidade. Em população vulnerável entenda-se transplantados, pacientes oncológicos, comorbidades severas e idosos acima de 70 anos —, a quarta dose deve ser encorajada urgentemente, a fim de proteger, mas sempre advertindo que apenas após quatro meses da última dose que deve ser administrada. Estamos fazendo nossa parte. Precisamos começar os esforços para compra de novos imunizantes e perfil que queremos adotar após estas doses já aplicadas. Com calma, iremos vencer todas as adversidades.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.