Vera Magalhães: Decisão de Marco Aurélio e repercussões tiram foco de assuntos importantes

  • Por Jovem Pan
  • 20/12/2018 07h57
José Cruz/ABrDiante dessa catarse, muitos fatos ficaram obscurecidos

Foi um dia que produz muita faísca e pouca luz. Ficamos cinco horas na confusão em torno da soltura de condenados em segunda instância que já cumprem condenação.

Além de muito barulho, o episódio produziu mais descrédito na Justiça, que é saldo bastante negativo e que não precisávamos mais. Agente assistiu a poucas semanas o episódio que Ricardo Lewandowski mandou prender um cidadão que disse ter vergonha do STF.

O que Marco Aurélio Mello fez nesta quarta-feira (19) foi reforçar essa imagem negativa do Supremo. Dias Toffoli, por sua vez, deixou a discussão sobre a questão para abril e Marco Aurélio Mello decidiu colocar, em uma canetada, o sistema judicial em xeque.

Isso demandaria um juízo de juízes de outras instâncias muito subjetivo. Poderia colocar 18 dos 25 acusados da Lava Jato que estão presos. E um outro motivo era a saída do presidente Lula, tanto que em 48 minutos o alvará de soltura já havia sido entregue. Mas a juíza Carolina Lebbos aguardou uma manifestação do MP, e antes disso veio a decisão de Dias Toffoli revogando a liminar.

Marco Aurélio disse que respeitava a Constituição com a decisão tomada nesta quarta.

Diante dessa catarse, muitos fatos ficaram obscurecidos. Enquanto o país discutia essa liminar, outros temas importantes foram tirados de foco.

Assuntos com potenciais mais graves aos cofres públicos ficaram obscurecidos. Outra decisão liminar de Lewandowski permitia o reajuste salarial de servidores a partir de 2019.

Da mesma maneira, ficou obscurecida a discussão entre Rodrigo Maia e Michel Temer. Maia resolveu assinar a lei que permite que municípios que firam a Lei de Responsabilidade Fiscal com gastos de pessoal sejam permitidas.

Por fim, outros dois assuntos ligados a escândalos. Num deles, o ministro Gilberto Kassab teve busca e apreensão na sua casa, acharam R$ 300 mil em dinheiro. E o futuro ministro Ricardo Salles foi condenado em caso de improbidade administrativa e não ouvimos do futuro Governo se isso impedirá sua nomeação.

E, por fim, Fabrício Queiroz, que continua sumido e apresentou atestado médico para não depor ao Ministério Público do Rio de Janeiro.

Confira o comentário completo de Vera Magalhães: