Constantino sobre Chico Rodrigues: ‘Barroso quer jogar para a plateia, é a intervenção de um poder no outro’

Para o comentarista, a falta de posicionamento do Senado Federal e do partido Democratas sobre o caso é “vergonhosa”

  • Por Jovem Pan
  • 16/10/2020 08h20 - Atualizado em 16/10/2020 09h48
Marcos Oliveira/Agência SenadoO agora ex-vice-líder do governo no Senado Federal foi afastado das suas funções parlamentares por 90 dias

Após ter sido encontrado com R$ 30 mil na cueca na quarta-feira, 14, durante operação da Polícia Federal (PF) que investiga desvios de recursos públicos destinados ao combate à pandemia da Covid-19, o senador Chico Rodrigues afirmou que é inocente. O agora ex-vice-líder do governo no Senado Federal foi afastado das suas funções parlamentares por 90 dias pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, nesta quinta-feira, 15. Para Rodrigo Constantino, a intervenção é preocupante, mas a falta de posicionamento do Senado e do partido do parlamentar é uma situação “vergonhosa”. “É um escárnio com a população ele falar que é inocente, que vai provar a inocência e bancar a vítima depois de ser pego com tanto dinheiro assim na cueca. É como se todo brasileiro de bem, honesto e com origem lícita de recursos andasse com dinheiro no meio da nádegas. Vai ver todo mundo usa notas de R$ 100 como papel higiênico e esquece o dinheiro perdido lá. É temerário que ele não seja punido pelo próprio Senado. O ministro Barroso que jogar para a plateia, é uma intervenção de um poder no outro, algo preocupante, um ativismo bem típico do próprio Barroso. Mas é vergonhoso que o Senado Federal e o partido do senador, que é o mesmo do Rodrigo Maia, do Luís Henrique Mandetta, o DEM (Democratas), nada faça sobre isso”, avalia.

Sobre a tentativa de Bolsonaro de se afastar da imagem do senador após o ocorrido, Constantino diz que o presidente, que busca governabilidade com o apoio das bancadas, é “refém do Congresso eleito”. “O presidente tem um ponto: o Congresso foi eleito e é preciso governar com esse Congresso que está. Muitos cobraram do presidente mais articulação, negociação e diálogo com o Congresso, inclusive alertavam que ele podia ser meio autoritário e até fascistoide. E agora, a gente vê que ele refém do Congresso que foi eleito e cujas bancadas são tomadas por esses partidos, e todos os grandes partidos e seus caciques estão encalacrados na Justiça. Então a cobrança de alguma alternativa para ter governabilidade no Brasil, sem Mensalão e Petrolão como fazia o PT (Partido dos Trabalhadores), que é contrário a esses deputados e senadores, e não sem se sujar com eventuais lideranças apontadas pelos partidos que tenham dinheiro na cueca ou algo parecido, é uma cobrança que fica sem resposta. Infelizmente, ou mudamos a qualidade do Congresso ou isso nunca vai mudar”, afirma.