Copiloto assumindo avião para não cair: como a crise no Brasil é vista no exterior

  • Por Caio Blinder/ JP Nova Iorque
  • 18/03/2016 14h43
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<p>Posse Lula - Dilma</p> Agencia Brasil/Roberto Stuckert Filho/PR (ag brasil )Posse Lula - Dilma

Meu Brasil é uma terra em transe, dois Brasis, um grande Brasil que grita basta ao pequeno Brasil ainda encastelado em um poder apodrecido. Momento histórico de indignação nas ruas e na consciência nacional.

E como tudo isto é visto do lado de fora? Claro que o mito Brasil da era Lula há tempos foi desmistificado. O deslumbramento com o Lula que ascendeu ao poder com sua vitória eleitoral em 2002 cedeu lugar à constatação de que o Brasil dera um salto impulsionado por uma conjuntura favorável e que o gigante lulopetista tinha pés de barro, ou melhor dizendo, pés de lama.

Fora do Brasil existe perplexidade com o estado de coisas, com o ritmo vertiginoso da crise. Um texto na imprensa americana perguntava no começo da semana: afinal quem estará dirigindo o Brasil nos Jogos Olímpicos de agosto?

Agosto está distante. A perplexidade é mais imediata. Como está no titulo pergunta do jornal Financial Times: “Com Lula de volta, quem manda no Brasil? O jornal diz que até a semana passada, parecia que era Dilma Rousseff. Na sua expressão, a presidente incompetente e impopular.

No domingo, com os protestos maciços, o povo mandava. Bastava ver as maiores manifestações antigovernamentais da história do país. Agora, Lula veio à carga para tentar mandar, mas o povo também voltou às ruas.

Existe perplexidade, mas isto não impede o Financial Times de medir palavras. O lance de trazer Lula formalmente de volta ao Palácio do Planalto é um autogolpe do lulopetismo. Na metáfora do jornal, Lula é o copiloto que asume o comando do avião que despenca. Não vou perder tempo para elaborar todo os detalhes deste plano de voo autogolpista, mas o Financial Times conclui que esta tarefa para impedir o desastre é demais até para o SuperLula. Lembrando o óbvio escandaloso, o Financial Times arremamata que no autogolpe lulopetista, Lula também age por autointeresse para se safar da prisão, ao obter o foro privilegiado na condição de ministro.

O Financial Times diz que o alcance do combate à corrupção no Brasil capitaneado pela Operação Lava Jato tem escassos paralelos em outros mercados emeegentes. Seu sucesso sinalizada um caminho promissor para o Brasil. Uma nova ordem ainda não nasceu, mas a velha, que tem Lula, o boca suja, como mentor e porta-voz, não se despede com elegância, para dizer o mínimo.

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