Ex-presidente da Andrade Gutierrez pode implicar Aécio Neves na Lava Jato

  • Por Jovem Pan
  • 13/10/2016 10h14
Otávio Marques de Azevedo e Aécio Neves - Montagem

O depoimento ao TSE do ex-presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, pode indicar uma prévia do conteúdo de nova rodada de delações premiadas da Lava Jato. As informações são da colunista Jovem Pan Vera Magalhães.

Azevedo falou ao Tribunal Superior Eleitoral na ação que julga as contas da chapa Dilma/Temer na campanha presidencial de 2014. O empreiteiro confirmou o pagamento de propina aos vencedores das eleições e disse que recebeu também Oswaldo Borges da Costa Filho, operador da campanha de Aécio Neves (PSDB), que foi para o segundo turno.

Borges era o “tesoureiro informal” da campanha do tucano e pedia as doações, de acordo com outro empreiteiro, Léo Pinheiro, da OAS, também preso e condenado na Lava Jato.

A Andrade Gutierrez fez uma doação no valor total de R$ 20 milhões e confirma que tratou do assunto com Oswaldo Borges, mas o ex-presidente da construtora ainda nega que o montante seja vinculado a propina.

Enquanto o dono da Andrade nega, o dono da OAS Léo Pinheiro disse que essa doação eleitoral era, de fato, propina em troca da construção da Cidade Administrativa em Minas Gerais, obra mais cara do governo Aécio Neves (2003-2010), que custou R$ 1,2 bilhão.

Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, sede do governo do Estado de Minas, foi projetada por Oscar Niemeyer (Divulgação)

Azevedo ainda poupa Aécio e diz que nunca negociou propina com o governo mineiro. Mas em seu retorno à Lava Jato, o empreiteiro vai ser pressionado para confirmar se houve propina ou não na obra.

Os advogados de Otávio Azevedo já o pressionam para que ele reveja esta parte do depoimento, sob o risco de perder os benefícios da delação premiada e deixar de ter a pena reduzida se ficar comprovado que ele mentiu ou omitiu informações à Justiça.

Assista ao comentário de Vera Magalhães, com a análise de como um possível enfraquecimento de Aécio mexe na corrida interna do PSDB por um nome presidenciável em 2018: