Luís Inácio Adams dificulta situação já crítica de Dilma

  • Por Jovem Pan
  • 05/03/2015 10h55

Luís Inácio AdamsLuís Inácio Adams

Reinaldo, o país vive uma crise de liderança?

Fosse só o Brasil… Na verdade, o mundo anda sem líderes. No nosso caso, a coisa é especialmente perversa, admito.

Vamos lá. Luís Inácio Adams, titular da Advocacia-Geral da União, concede uma entrevista ao “Broadcast Político”, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, e defende que o governo faça acordos de leniência com as empreiteiras.

Afirma Adams: “Estamos falando em uma cadeia produtiva que envolve a construção civil, investidores, bancos, fornecedores, empresas de mão de obra, associadas com as 23 empresas investigadas. Estamos estimando algo em torno de 51 mil empresas nessa cadeia. Isso não para o País, mas pode gerar um potencial de trauma significativo”.

O que fala o advogado-geral faz sentido? Faz, sim! Também não procedem as suspeitas de que acordos de leniência poderiam interferir na seara penal. São domínios distintos. E é evidente que o Ministério Público exorbita de suas funções – basta buscar a lei (e eu só entendo saídas dentro do estado de direito) – quando tenta impedir legalmente os acordos de leniência.

Tudo isso faz sentido, reitero. Mas eis que vem a tal “crise de liderança”. Embora, funcionalmente, esse possa ser um assunto para o advogado-geral, o fato é que o ambiente se intoxicou demais. É Dilma Rousseff quem tem de admitir o tamanho da crise e de liderar esse processo.

Qual processo? O de acordos de leniência? Não! O de costura política que ele ensejaria. Parar de tudo, de fato, o país não para. Mas vai encolher ainda mais do que já estava destinado a fazê-lo. Antes dos efeitos das medidas recessivas, o mercado trabalhava com algo em torno de menos 0,5% de crescimento. Depois, só o capeta sabe.

É Dilma quem tem de ir à luta. Em vez disso, Luís Inácio Adams fica concedendo entrevistas, em tom sempre defensivo, tentando provar que não está apenas buscando livrar a cara das empreiteiras – como se, de fato, elas não representassem um setor importante da economia: nada menos do que aquele que responde pela infraestrutura, que é onde o país está mais capenga.

Pois é… Conhecem a historinha do pastor que vivia pregando peça nos seus pares gritando “olha o lobo!”, só para se divertir com a aflição dos outros? A cada crítica que recebiam ao longo de 12 anos, os petistas gritavam um “olha o lobo!” à sua maneira. Chamavam a sua militância para a briga, acusando os críticos de reacionários, privatistas, sabotadores etc. Era tudo mentira! Era só truque. Dilma Rousseff, por exemplo, como ministra da Casa Civil e presidente do Conselho da Petrobras, gritou “olha o lobo!” quando se quis fazer uma CPI em 2009 para investigar, entre outras denúncias, desvios na refinaria Abreu e Lima.

O pastor da fábula se dá mal. Um dia o bicho veio mesmo, ele gritou, mas ninguém acudiu. Assim está Adams. Assim está Dilma. “Olha o lobo!” Sim, desta feita, é verdade! O país está à beira do abismo. Mas ninguém acredita em Adams. Ninguém acredita em Dilma. A crise do Brasil é uma crise de direção. O PT se afunda na lama da qual se alimentou, e a presidente da República não sabe o que fazer. Tarefeiros como Adams tornam tudo pior.

O que dói mais no PT, e esta é uma das razões porque a turma lá me odeia, não é discordar de mim. É saber que estou certo.