Marqueteiro hábil de fúria difusa, Donald Trump controla o ciclo noticioso

  • Por Caio Blinder - Jovem Pan Nova Iorque
  • 28/01/2016 10h09
Donald Trump

Nesta quinta-feira, os candidatos presidenciais republicanos realizam seu último debate antes do início da votação da escolha do seu nome para duelar contra os democratas em novembro e eu não tenho dúvidas que será a ex-primeira dama Hillary Clinton.

O ciclo de primárias dos dois partidos começa na segunda-feira (1º) no pequeno estado de Iowa sempre com influência desproporcional à sua população. E como de hábito, Donald Trump está no centro da conversa. E desta vez por ter anunciado seu boicote ao debate desta quinta-feira a ser realizada pela rede Fox News.

Trump não gosta da moderadora Megyn Kelly e encrencou com ela deste o primeiro debate da Fox em agosto. Encrenca e insulta de forma grosseira e machista. Existe é claro uma grande ironia. A Fox promoveu figuras como Trump por ser o braço de propaganda do movimento conservador e agora é devorada pelo monstro que gerou. Megyn Kelly, qualificada por Trump, de repórter de terceira categoria, é uma jornalista competente, mais uma vítima do bufão bilionário de Nova York.

Trump é muito esperto. A polêmica sobre seu boicote ao debate o coloca no centro de um debate sem que ele tenha a necessidade de estar ao lado dos seus adversários. Trump joga de acordo com suas próprias e ninguém ainda encontrou uma fórmula para nocauteá-lo.

A lista de insultados é imensa e nada disso basta para frear a ascensão de Trump nas pesquisas, Ele é o candidato de 40% dos republicanos, mais de 20 pontos adiante do segundo colocado, o senador texano Ted Cruz, um conservador da pesada que acusa Trump de ser um falso conservador.

Nem prefiro entrar no debate ideológico. Não vejo densidade ideológica em Trump. Ele é um marqueteiro hábil para canalizar uma fúria difusa de uma ampla parcela do eleitorado contra o que está aí. Uma fúria muito demagógica e perigosa.

Compensa insultar Trump, dando o troco? Não adianta muito. A Fox foi sarcástica com Trump, com a mensagem de que se ele tem medo das perguntas de Megyn Kelly, imagine quando confrontar adversários como o aiatolá Khamenei ou Vladimir Putin.

Insultos e sarcasmo não funcionam contra Trump. Como jornalista profissional, eu me rendo. Como o resto da imprensa, eu sou refém do bilionário bufão. Ele controla o ciclo noticioso.