Ministro das Minas e Energia vê risco de apagão; o que foi mesmo que Dilma disse há dois anos e quatro meses?

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 23/01/2015 08h11

Eduardo Braga (PMDB), novo ministro da Minas e Energia, é um político experiente. Está muito longe de ser um bobalhão. Ele calcula os passos. Ele sabe que uma palavra fora do lugar pode pôr os políticos numa situação muito difícil. Fala o que pode e o que a presidente Dilma Rousseff diz que ele pode. E ele disse com todas as letras: existe, sim, a possibilidade do racionamento de energia. Para um governo que não admitia nem mesmo um descompasso entre oferta e demanda, trata-se de um avanço. 

Leiam o que afirmou: Dez por cento é o limite prudencial. Nenhum reservatório de hidrelétrica pode funcionar com menos de 10% de água. Ele tem problemas técnicos que impedem que as turbinas funcionem. Não é no Sudeste. É em qualquer lugar. E deixou claro que, caso se chegue a esse patamar, haverá, sim, racionamento. Melhor assim: melhor admitir que a realidade existe.

Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostram que os reservatórios estavam, nesta quarta, com 17,43% na região Sudeste/Centro-Oeste e em 17,18% na região Nordeste. Nas regiões Sul (67,17%) e Norte (35,2%), a situação é melhor. Só para comparar: quando houve o apagão, em 2001, os reservatórios do Sudeste tinham quase o dobro de água: 31,41%. É que, então, não havia termelétricas em número suficiente. Agora haveria… Será? A economia brasileira cresce perto de zero. Só por isso não houve apagão ainda. Mas os problemas são evidentes. Nesta quarta, o Brasil importou energia da Argentina pelo segundo dia consecutivo: 90 megawatts médios — na terça, foram 165 MW. E importou por quê? Porque se trata de um “insumo” em falta. Então o governo mente quando diz que temos uma produção suficiente para responder às necessidades.

Depois de se reunir com o ministro Aloizio Mercadante (Que medo! Espero que ele não tenha dado nenhuma sugestão), Braga afirmou: Estamos também muito preocupados com a situação hidrológica. Inclusive, amanhã [nesta sexta], teremos uma reunião na casa Civil com a ANA (Agência Nacional de Águas), o Ministério do Meio Ambiente, de Ciência e Tecnologia e outros. O nível… Porque o nível hidrológico chegou a níveis mínimos em várias regiões”.

Então fiquemos assim: melhor uma fala como essa do que a glossolalia de Edison Lobão, que só ficou sabendo a diferença entre um nariz de porco e uma tomada depois que o Brasil inventou a sua jabuticaba de três buracos. Mas é claro que não deixarei barato para a presidente Dilma e a formidável máquina planaltina de contar mentiras.

Até hoje, nenhum discurso de Dilma foi tão desonesto política e intelectualmente como o pronunciado no dia 6 de setembro de 2012, véspera do Dia da Independência. A íntegra, para os fortes, segue abaixo, em vídeo. Na sequência, destaco trechos.

Vamos ver o que ela anunciou então, entre aspas:
“Na próxima terça-feira vamos dar um importante passo nesta direção. Vou ter o prazer de anunciar a mais forte redução de que se tem notícia, neste país, nas tarifas de energia elétrica das indústrias e dos consumidores domésticos. A medida vai entrar em vigor no início de 2013. A partir daí todos os consumidores terão sua tarifa de energia elétrica reduzida, ou seja, sua conta de luz vai ficar mais barata. Os consumidores residenciais terão uma redução média de 16,2%. A redução para o setor produtivo vai chegar a 28%, porque neste setor os custos de distribuição são menores, já que opera na alta tensão. Esta queda no custo da energia elétrica tornará o setor produtivo ainda mais competitivo. Os ganhos, sem dúvida, serão usados tanto para redução de preços para o consumidor brasileiro, como para os produtos de exportação, o que vai abrir mais mercados, dentro e fora do país. A redução da tarifa de energia elétrica vai ajudar também, de forma especial, as indústrias que estejam em dificuldades, evitando as demissões de empregados.”

Para lembrar: as medidas de Dilma provocaram um rombo bilionário no setor elétrico. Para compensar o desastre, a tal energia, que seria mais barata, teve uma elevação de 20% em 2014 e deve sofrer outras neste ano da ordem de 40%. Com risco de apagão.

O vídeo e a fala de Dilma entram para a história, não é mesmo?  Se você ler o discurso inteiro, verá os amanhãs sorridentes com os quais ela nos acenava. Deu no que deu.