O clima está bom para ditadores e populistas da pior espécie

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan Nova Iorque
  • 05/04/2017 11h08
MR01 WASHINGTON (ESTADOS UNIDOS), 03/04/2017.- El presidente de EE.UU., Donald J. Trump (i), recibe a su homólogo egipcio, Abdelfatah al Sisi (2-d), en la Casa Blanca en Washington, Estados Unidos, hoy 3 de abril de 2017. EFE/Michael ReynoldsDonald Trump recebe ditador do Egito Abdelfatah al Sisi

O clima está bom para ditadores e populistas da pior espécie, com o desmanche da ordem liberal global, da qual Donald Trump abre mão da liderança.

E os últimos dias têm sido atrozes para esta ordem liberal: o general egípcio Sissi foi recebido efusivamente por Trump na Casa Branca, Bashar Assad praticou um pouco mais de genocídio na guerra civil síria com o uso de armas químicas, o neoczar Vladimir Putin joga pesado com a oposição, prendendo o seu líder Alexei Navalny, e na América do Sul os bolivarianos têm uma sobrevida com o recuo de Nicolás Maduro no autogolpe venezuelano e a vitória de Lênin Moreno nas eleições equatorianas.

E como tem gente medonha na praça. Na Turquia, Recep Erdogan caminha para conseguir as mudanças constitucionais e assim estender o seu poder pelo menos até 2029 e nas Filipinas tem aquele chefe de esquadrão da morte, o Rodrigo Duterte, aprontando as barbaridades supremas agora que está na presidência, com o voto do povo.

O povo pode fazer escolhas terríveis mesmo em eleições plenamente democráticas. Todos conhecem minha ladainha sobre Mr. Trump e caso não ocorra participação maciça no segundo turno das eleições francesas em maio (a favor de Emmanuel Macron), o desastre se consuma com Marine Le Pen.

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No Wall Street Journal, Bret Stephens lembra que no informe da Freedom House, ou Casa da Liberdade, 2016 foi o “décimo primeiro ano consecutivo de declínio da liberdade global” e o mais assustador é que a erosão tem lugar largamente nas democracias, com o povo perdendo a fé nas liberdades e acreditando nas falsas promessas do carismático homem (ou mulher) forte.

Falando em força, cabe aos poderes democráticos mais vigorosos no mundo darem o exemplo moral e transmitirem confiança ideológica. Barack Obama era um presidente de muito papo e habitualmente insosso nas suas ações para defender o vigor da democracia em escala global.

Seu sucessor é simplesmente venal, indiferente a direitos humanos ou defesa da democracia nas transações geopolíticas, exceto em situações extremas como condenar Bashar Assad pelo uso de armas químicas na guerra civil. O ditador sírio aliás recorreu ao gás está semana assim que a Casa Branca disse que sua saída do poder não era uma prioridade. Assad mostrou de forma flagrante as suas prioridades.

Donald Trump é um embaraço para as melhores tradições do mundo ocidental e, mais grave, quem deveria dar o exemplo desmotiva aqueles que lutam por democracia nas terras mais ingratas do planeta.