Putin deverá golpear o EI na Síria, caso se confirme ataque terrorista em avião russo
O que vai acontecer na Rússia, o que fará Vladimir Putin caso se confirme que o terror islâmico foi o responsável pela derrubada do avião russo que matou todas as 224 pessoas a bordo na península do Sinai no sábado passado?
As autoridades russas e egípcias alertam contra especulações de países ocidentais de que uma bomba teria sido colocada a bordo do Airbus da empresa Metrojet pelo próprio movimento terrorista Estado Islâmico ou o grupo egípcio afiliado. No entanto, na própria Rússia com a imprensa tão controlada pelo Kremlin já se fala que traços de explosivos foram encontrados nos corpos de algumas vítimas.
Um ataque terrorista seria uma retaliação à campanha de bombardeios aéreos de Moscou contra inimigos da ditadura de Bashar Assad na guerra civil, embora os alvos prioritários sejam grupos rebeldes que combatem tanto a ditadura como o Estado Islâmico. A ideia de Putin e de Assad é que o mundo seja colocado diante de uma encruzilhada: Estado Islâmico ou ditadura.
Caso se confirme que foi o terror islâmico e não um acidente, Putin será forçado a golpear realmente com força o Estado Islâmico na Síria e até mais perto de casa. Afinal, o Estado Islâmico tem recrutado na região islâmico no sul da Rússia e grupos jihadistas ainda operam no Cáucaso apesar da maciça repressão russa nas guerras da Chechênia nos anos 90.
Não há dúvida que em um primeiro momento, a população russa irá cerrar fileiras com Putin caso se confirme este ataque terrorista contra um avião comercial, com vítimas totalmente inocentes. A população de qualquer país faria o mesmo. E a orquestrada propaganda oficial teria mais munição para lembrar ao mundo a necessidade urgente de unidade contra a ameaça do Estado Islâmico. Hora inclusive de aceitar Bashar Assad como um aliado nesta luta inglória.
O outro lado da moeda é que ficará patente o custo da intervenção russa na guerra civil síria pouco mais de um mês após o seu início. O caos no Oriente Médio assim se transforma em uma penosa e imediata realidade para os russos.
A taxa de aprovação do autoritário Putin está lá cima, mas não é mais estratosférica. A euforia com a intervenção na Ucrânia já esfriou e este envolvimento na Síria nunca contou com tanto entusiasmo. Civis russos morrendo no meio do deserto do Sinai porque Putin se enfiou no atoleiro sírio pode enfraquecer o apoio ao governo quando o país sofre com a crise econômica e as sanções internacionais adotadas em punição à intervenção na Ucrânia.
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