A Ucrânia é um país dividido, preso em um conflito entre o seu passado e o futuro

  • Por Jovem Pan - Nova Iorque
  • 21/02/2014 15h55

Votação no Parlamento Ucraniano (Verkhovna Rada) termina em briga. Foi aprovada uma lei que liberta Yulia TimoshenkoParlamentares ucranianos brigam

Com a violência e a ameaça de guerra civil no coração da Europa, a Ucrânia é manchete diária na imprensa internacional. Caio Blinder, Correspondente Jovem Pan em Nova Iorque, fala sobre conflitos de anos atrás e os interesses econômicos e geopolíticos que cercam a situação e dificultam a resolução da crise. Confira os principais trechos abaixo e ouça o comentário completo no áudio ao lado.

Dois terços dos ucranianos são etnicamente ucranianos e sua língua é o ucraniano. Há uma minoria ucraniana que fala russo. Outra minoria é russa e, obviamente, fala russo. Ela vive no leste do país, alcançando a fronteira com a Rússia.

Em 1991, a Ucrânia ficou independente da União Soviética. Mas, desde que Vladimir Putin chegou ao poder em Moscou no ano 2000, fortalecido pela alta dos preços do petróleo, ele passou a impedir ativamente a aproximação da Ucrânia com a Europa. O atual conflito é mais uma rodada desse choque entre o passado e o futuro.

Em 2004 aconteceu a “Revolução Laranja”, que aprofundou a democracia e o distanciamento de Moscou. No entanto, as coisas se inverteram e voltou ao poder o pró-russo Viktor Yanukovytch. Antes da atual explosão, Yanukovytch já comandava um país quebrado. Por isso, até havia a tentação de acordos políticos e econômicos com a União Europeia, mas, na última hora, ele recuou, por pressão de Putin, que também deu um pacote de ajuda de U$15 bilhões de dólares

Para Putin, qualquer aceno ocidental à Ucrânia é interferência nos assuntos internos do país. Um país que ele considera parte do quintal russo. Mesmo assim, existe anseio popular de proximidade com o futuro, um futuro democrático, mais civilizado, representado pela Europa, que também tem sua crise econômica. A Europa acena para a Ucrânia, mas a considera fraca e instável para fazer parte do seu “clube” tão cedo.

Agora, essa explosão. São três meses que oscilam entre negociações e violência. E essa semana é um cenário de quase guerra civil, de insurreição. É verdade que entre os manifestantes se destacam grupos de jovens neofascistas, que odeiam os russos, mas no geral é uma causa nobre. Parece muito difícil conter o banho de sangue. 

Para a Rússia, muito mais está em jogo na defesa de seus interesses do que do lado ocidental. Em termos imediatos, há dúvidas se o governo Yanokovycth aguenta ficar no cargo e se o conflito vai desembocar em guerra civil. 

► Leia e ouça também a análise de Joseval Peixoto, que listou um histórico de séculos de conflitos que marcaram o país do leste europeu: http://jp.com.br/s/c93fae19