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Política

Alcolumbre defende presunção de inocência de Jaques Wagner após operação da PF

Presidente do Senado disse que ninguém pode ser condenado sem trânsito em julgado e prestou solidariedade ao líder do governo na Casa Alta

Nícolas Robert

Presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-PA), e o senador Jaques Wagner (PT-BA)
Presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-PA), e o senador Jaques Wagner (PT-BA) Carlos Moura / Agência Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), defendeu a presunção de inocência do senador Jaques Wagner (PT-BA) e disse que “ninguém neste país pode ser condenado antes do trânsito em julgado”. O pronunciamento do líder da Casa Alta foi feito nesta quinta-feira (18), após o parlamentar ser alvo de busca e apreensão na 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.

A PF deflagrou nesta quinta-feira a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que apura eventual participação de agentes públicos em esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional. Entre os nomes investigados, consta o do líder do governo Lula no Senado.

“Todos devem ter também a presunção da inocência, seja ele um senador ou um deputado federal do PT ou do PL. Muitas autoridades já foram vítimas dessa execração pública e, no passar do tempo, a maioria delas provou que, no decorrer das investigações, conseguiu provar a sua inocência”, afirmou.

O presidente do Senado também manifestou apoio ao parlamentar. “Meu apoio e a minha solidariedade integral a um colega senador da República. Eu tenho a convicção de que, no decorrer do processo, as verdades do senador Jaques Wagner virão à tona e elas serão comprovadas”, disse o líder da Casa Alta.

Alcolumbre destacou que o processo de investigação é legítimo, mas criticou o que chamou de “execração pública”. “Nós precisamos entender que ninguém neste país pode ser condenado antes do trânsito em julgado antes do processo. E que todos neste país podem ser investigados, questionados, e isso é normal em um Estado Democrático de Direito”.

Entenda a operação

A 9ª fase da Operação Compliance Zero investiga suposta participação de agentes públicos em irregularidades relacionadas ao Banco Master. A PF cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

As investigações apontam suspeitas de repasses de R$ 3,5 milhões a uma empresa ligada à família de Jaques Wagner, além da ocultação de propriedade de um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,45 milhões. O inquérito também cita o uso de jatos particulares e o recebimento de ingressos para um show em Los Angeles.

Segundo a PF, as vantagens teriam relação com a defesa de interesses do Master no Congresso Nacional, especialmente em temas ligados a crédito consignado. Além de Wagner, o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, foi um dos alvos da operação.

A defesa de Augusto Lima informou que as medidas eram desnecessárias, pois o empresário já se encontrava à disposição das autoridades. A defesa de Jaques Wagner foi procurada, mas não havia se manifestado até a publicação desta matéria.