Constantino lamenta revogação da prisão de Cunha: ‘Mais um golpe nos que sonharam com um Brasil diferente’

Declaração foi dada pelo comentarista durante sua participação no programa 3 em 1, da Jovem Pan, desta quarta-feira, 28

  • Por Jovem Pan
  • 28/04/2021 18h07 - Atualizado em 28/04/2021 20h13
Agência BrasilCunha deixará de usar a tornozeleira eletrônica, mas não poderá deixar o país já que seu passaporte segue retido

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) revogou nesta quarta-feira, 28, a prisão do ex-presidente da Câmara dos Deputados e alvo da Operação Lava Jato, Eduardo Cunha. Com a decisão, Cunha deixará de usar a tornozeleira eletrônica, mas não poderá deixar o país já que seu passaporte segue retido. “Finalmente a Justiça começa a ser concretizada”, afirma a defesa do ex-presidente da Câmara dos Deputados. Os magistrados concederam habeas corpus para revogar a prisão preventiva decretada em 2016 pela 13ª Vara Federal de Curitiba, por entender que a medida restritiva havia extrapolado o limite do razoável. Segundo a defesa, o ex-parlamentar segue em prisão domiciliar por causa de outra prisão preventiva, da Operação Sepsis, que apura desvios na Caixa Econômica Federal – ele cumpre pena em casa por ser do grupo de risco da Covid-19 e por ter feito uma cirurgia no aparelho digestivo

Durante sua participação no programa 3 em 1, da Jovem Pan, desta quarta-feira, 28, o comentarista Rodrigo Constantino lamentou a revogação da prisão de Cunha e disse que é um ataque à população, que queria um Brasil sem impunidade. “O Eduardo Cunha ter a prisão revogada é mais um golpe, é mais um ataque, um escárnio a todos aqueles que sonharam, por algum período curto, com um Brasil diferente. Nós estamos vendo, dia após dia, o recrudescimento do vale tudo, do ‘liberou geral’ e do ‘crime compensa’”, afirmou Constantino. Em outro momento, o comentarista disse que não acredita que Cunha possa ser uma peça chave nas próximas eleições. “Acho que o Eduardo Cunha está meio ‘carta fora do baralho’, a menos que seja muita articulação de bastidor. Apesar de que essa história das múmias da política brasileira, volta e meia, reaparecem. A volta dos que nunca se foram. E é o caso do Renan Calheiros na CPI”, explicou.

Além disso, Constantino afirmou que o povo brasileiro assiste ao desmonte da Operação Lava Jato e falou sobre o papel de Cunha no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). “O que o povo está vendo atônito e sem muita reação por conta da pandemia, talvez, é o desmonte total da Operação Lava Jato e daquele clima de esperança no fim ou na redução da impunidade aos poderosos em nosso país. É curioso esse assunto envolvendo o Eduardo Cunha em particular porque muita gente considera ele uma espécie de ‘malvado favorito’, assim como Roberto Jefferson, que foi quem denunciou o Mensalão no começo, pagou pelos seus crimes, foi preso e tudo mais. Você pode reconhecer o mérito do sujeito ter tido ali, sob muita pressão, a decisão e o bom senso de ter liderado o processo de impeachment da Dilma Rousseff, que impediu o Brasil de virar a Venezuela, e, mesmo assim, não querer inocentá-lo de seus crimes. São coisas bem diferentes”, afirmou Constantino.

Confira a íntegra da edição do programa 3 em 1 desta quarta-feira, 28: