Josias de Souza: Mandetta deveria fazer autocrítica em livro sobre gestão no Ministério da Saúde

Comentaristas do programa 3 em 1 debateram o livro do ex-ministro sobre sua atuação no início da pandemia de Covid-19; Mandetta chamou Bolsonaro de negacionista

  • Por Jovem Pan
  • 25/09/2020 18h07
EFE/Joédson AlvesLuiz Henrique Mandetta lançou livro sobre sua atuação no início da pandemia de Covid-19

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta anunciou nesta sexta-feira (25) o lançamento do livro intitulado “Um paciente chamado Brasil: Os bastidores da luta contra o coronavírus“. Na obra ele narra os desafios que enfrentou no Ministério da Saúde durante o início da pandemia da Covid-19 no país e chama o presidente Jair Bolsonaro de negacionista. O tema foi debatido entre os comentaristas do 3 em 1, programa da Jovem Pan. Para Josias de Souza, o ex-ministro se dedica a falar bem de si mesmo e não analisa o cenário de maneira real. “Mandetta relata que expôs em março, numa reunião com a presença do Bolsonaro, cenários que indicavam que o coronavírus poderiam matar 180 mil pessoas no Brasil. Esse livro se assemelha ao livro lançado nos EUA pelo jornalista Bob Woodward, que revela que em uma série de entrevistas gravadas, o presidente Donald Trump admitiu, ainda em fevereiro, que tinha ciência do grau de letalidade do coronavírus, e a despeito disso, ele reduzia a importância do vírus em público. Nos EUA, o livro rendeu críticas ao Trump e também ao jornalista, que sonegou ao público informações vitais que poderiam ter evitado algumas mortes. No Brasil, é preciso perguntar ao Mandetta se em meio a tantas autópsias ele não poderia aproveitar para fazer uma autocrítica. Será que não deveria ter sido mais honesto lá atrás com os riscos a que estava sujeita a sociedade brasileira? Acho que é a hora de todo mundo baixar a bola, evitar coisas que não tem eficácia comprovada e do mesmo modo, parar de ficar confundindo oportunidade com oportunismo”, criticou.

Josias também comentou sobre a iniciativa do Ministério da Saúde de realizar o ‘Dia D contra a Covid-19‘, que acontecerá no dia 3 de outubro, para orientar a população sobre o tratamento precoce contra a doença e que prevê a distribuição do ‘Kit Cloroquina’ que reúne os medicamentos hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina, todos sem comprovação científica contra a Covid-19. Para ele, há uma dualidade no discurso do governo: ou a ciência médica mundial enlouqueceu, ou o kit do governo não tem efeito nenhum. “O presidente Bolsonaro acaba de fazer um gol ao incluir o Brasil na aliança internacional por vacinas contra a Covid-19, uma aliança coordenada pela OMS. Depois de muito excitação, o presidente liberou R$ 2,5 bilhões que aproxima o Brasil do desenvolvimento de nove vacinas”, disse.

“A arquibancada nem teve tempo de comemorar e aí surge essa notícia de que o governo se equipa para fazer um gol contra. O Ministério da Saúde quer fazer o Dia D do enfrentamento à Covid-19. Essa terminologia costuma ser usada em campanhas de vacinação, na falta de vacina pretende-se intensificar a distribuição desse kit covid, esse embrulho. O que se diz é que o presidente pode até bater bumbo num pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão. Tudo isso ocorre contra um pano de fundo manchado pela presença de 140 mil mortes. Uma evidência de que, ou a comunidade médica enlouqueceu ao ignorar a genialidade sem comprovação científica do Bolsonaro, ou esse ‘kit cloroquínico’ do governo não tem serventia”, finalizou.

Confira o programa dessa sexta-feira, 25, na íntegra: