‘Mandetta está em casa: CPI é palanque eleitoral e palco para politicagem’, diz Constantino

Declaração foi dada durante a edição do programa 3 em 1 desta terça-feira, 4, na qual os comentaristas debateram os primeiros depoimentos ao colegiado

  • Por Jovem Pan
  • 04/05/2021 18h08 - Atualizado em 04/05/2021 19h27
EFE/Joédson AlvesComentarista criticou o depoimento do ex-ministro da Saúde

O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi o primeiro a depor na CPI da Covid-19. A Comissão Parlamentar de Inquérito foi criada para investigar supostas omissões do governo federal no combate à pandemia do novo coronavírus. Fazem parte da comissão presidida pelo senador Omar Aziz (PSD-AM) 11 titulares, entre eles políticos experientes, nomes fortes do Centrão e um ex-ministro da Saúde. Mandetta afirmou que “não passou pelo Ministério da Saúde” a determinação para a produção de cloroquina pelos laboratórios do Exército. “Foi uma determinação feita à margem do Ministério da Saúde”, explicou. “A única coisa que o Ministério da Saúde fez, após consulta ao Conselho Federal de Medicina, era para o uso compassivo, quando não há outro recurso terapêutico aos pacientes graves. Para uso indiscriminado, a margem de segurança da cloroquina é estreita”, disse. Além de Mandetta, estava na pauta o depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, cuja presença foi adiada em 15 dias após assessores informarem que ele se encontra em quarentena.

Durante sua participação no programa 3 em 1, da Jovem Pan, desta terça, o comentarista Rodrigo Constantino disse que o ministro era “anticientífico” e que teria se aproveitado da pandemia para subir em um palanque para fazer política. “Quem era anticientífico era o próprio Mandetta, que é um político, ortopedista, nada especialista em pandemia, que subiu em um palanque no meio da pandemia e lá continuou. E está no lugar certo, é uma boa abertura para essa CPI, que é um palanque eleitoral e palco para politicagem. O Mandetta está em casa. O que vemos ali na declaração dele? Arrogância”, afirmou Constantino, que continuou: “Vemos também a hipocrisia, porque é um sujeito que fazia até linha divisória em casa, pessoas da família almoçavam em cômodos separados, mas ia para o bar jogar sinuca, ia para a praia, dançava com funcionários, tudo isso sem máscara. Aliás, cumprimentou com aperto de mão os senadores ali, então já está liberado, não precisa mais do cotovelo”.

Em seguida, o comentarista afirmou que a politização em torno da utilização de remédios para o tratamento precoce é “abjeta” e citou o uso do tamiflu no combate a H1N1. “A politização do remédio para o tratamento precoce é a coisa mais abjeta que já vimos na história da ciência e de questões de saúde. Hoje foi a colocação do Dr. Francisco, epidemiologista do Rio, que eu e a Amanda entrevistamos mais cedo. Ele se mostrou chocado com esse nível de politização e todas as pessoas decentes assim têm se sentido. O uso de remédio off-label é muito frequente, ainda mais em uma doença desconhecida. O senador Girão teve que jogar na cara do Mandetta e dos outros que na influenza, no H1N1, o tamiflu salvou muitas vidas e só depois veio a tal comprovação científica mais robusta”. Por fim, Constantino voltou a dizer que a CPI é um circo e que Mandetta estava cometendo “demagogia da pior espécie”. “A prova cabal de que estamos diante de um circo e, portanto, nada surpreendente aqui, exatamente o que as pessoas esperavam dessa CPI, é quando o Mandetta, respondendo um senador diz o seguinte: ‘410 mil mortes me separam do presidente’. Isso é científico ou é algo típico de um PSOL? Politicagem pura. Demagogia da pior espécie”, concluiu.

Confira a íntegra da edição do programa 3 em 1 desta terça-feira, 4: