‘Moderação parece não ser conselho tão bom’, diz Paulo Figueiredo sobre baixa popularidade de Doria
O governador do estado de São Paulo, João Doria, afirmou em entrevista publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta segunda-feira, 23, que não pretende disputar uma reeleição para o cargo que ocupa no ano de 2022 por ser contra o procedimento. Ele disse, ainda, que é a favor de uma frente ampla que inclua a centro-esquerda contra outros extremos nas próximas eleições para a presidência, evitando dar nomes de partidos, mas citando como exemplo o ex-ministro e ex-juiz Sergio Moro. As falas de Doria foram tema de debate entre os comentaristas do programa 3 em 1, da Jovem Pan, nesta segunda-feira, 23.
Paulo Figueiredo Filho lembrou que a popularidade de Doria não é grande de acordo com institutos de pesquisa, assim como a do presidente Jair Bolsonaro. No fim de setembro, segundo pesquisa Ibope, o governador tinha 23% de aprovação e 39% de reprovação entre os moradores da cidade de São Paulo. “Já que a gente está falando em popularidade e o pessoal gosta aí de pesquisa de opinião, a popularidade dele vem bem baixa, né? Pelo visto a moderação parece não ser um conselho tão bom assim”, afirmou. Ele disse, ainda, que Doria enfrenta um cenário que deve ser dividido entre Bolsonaro e a esquerda. “Se você tiver vários candidatos, a chance de ir para o segundo turno aí é que vira zero mesmo. Ele tem essa dificuldade na disputa, ele não é uma pessoa muito querida dentro dos próprios ciclos da centro-esquerda”, disse. Figueiredo Filho ainda diz acreditar que a disputa vai ficar polarizada entre o atual presidente e um nome da esquerda.
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Para Josias de Souza, os nomes apontados como possíveis candidatos do centro formariam uma “soma de egos em proporções do universo” de pessoas que, se têm partido não têm votos e se têm votos não têm partidos. “Há uma avenida para construir uma candidatura de centro. A questão é que não apareceu ninguém ainda para responder como é que se chega a esse centro. Eu não vejo possibilidade hoje de costura de uma frente tão ampla com personalidades tão diversas”, afirmou. Ele disse, ainda, que o ex-presidente Lula e o atual presidente Jair Bolsonaro viraram cabos eleitorais um do outro e mostram extremos dos quais o brasileiro fugiu nas eleições municipais de 2020. Thaís Oyama lembrou que Doria não é rejeitado apenas pelos bolsonaristas, mas também por segmentos da esquerda e do centro, inclusive dentro do próprio partido pelo qual foi eleito, o PSDB. “O governador precisa explicar como é que ele pretende fazer [a união com a centro-esquerda] sendo que os últimos movimentos dele são em direção à direita, ao DEM”, disse, lembrando que tanto ACM Neto, prefeito de Salvador, quanto Rodrigo Maia, já posaram ao lado do atual governador de São Paulo. “O Doria está fazendo esse movimento à direita e ele vai explicar ai como pretende botar todos esses gatos no mesmo balaio. Não me parece exatamente o mais credenciado dos nomes para fazer esse movimento tão difícil”, afirmou.