‘Moderação parece não ser conselho tão bom’, diz Paulo Figueiredo sobre baixa popularidade de Doria

Fala do atual governador de São Paulo sobre possibilidade de uma frente ampla com centro-esquerda para derrotar Bolsonaro em 2022 foi comentada no programa 3 em 1

  • Por Jovem Pan
  • 23/11/2020 18h39 - Atualizado em 23/11/2020 19h09
Governo do Estado de São PauloGovernador de São Paulo citou frente ampla em entrevista

O governador do estado de São Paulo, João Doria, afirmou em entrevista publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta segunda-feira, 23, que não pretende disputar uma reeleição para o cargo que ocupa no ano de 2022 por ser contra o procedimento. Ele disse, ainda, que é a favor de uma frente ampla que inclua a centro-esquerda contra outros extremos nas próximas eleições para a presidência, evitando dar nomes de partidos, mas citando como exemplo o ex-ministro e ex-juiz Sergio Moro. As falas de Doria foram tema de debate entre os comentaristas do programa 3 em 1, da Jovem Pan, nesta segunda-feira, 23.

Paulo Figueiredo Filho lembrou que a popularidade de Doria não é grande de acordo com institutos de pesquisa, assim como a do presidente Jair Bolsonaro. No fim de setembro, segundo pesquisa Ibope, o governador tinha 23% de aprovação e 39% de reprovação entre os moradores da cidade de São Paulo. “Já que a gente está falando em popularidade e o pessoal gosta aí de pesquisa de opinião, a popularidade dele vem bem baixa, né? Pelo visto a moderação parece não ser um conselho tão bom assim”, afirmou. Ele disse, ainda, que Doria enfrenta um cenário que deve ser dividido entre Bolsonaro e a esquerda. “Se você tiver vários candidatos, a chance de ir para o segundo turno aí é que vira zero mesmo. Ele tem essa dificuldade na disputa, ele não é uma pessoa muito querida dentro dos próprios ciclos da centro-esquerda”, disse. Figueiredo Filho ainda diz acreditar que a disputa vai ficar polarizada entre o atual presidente e um nome da esquerda.

Para Josias de Souza, os nomes apontados como possíveis candidatos do centro formariam uma “soma de egos em proporções do universo” de pessoas que, se têm partido não têm votos e se têm votos não têm partidos. “Há uma avenida para construir uma candidatura de centro. A questão é que não apareceu ninguém ainda para responder como é que se chega a esse centro. Eu não vejo possibilidade hoje de costura de uma frente tão ampla com personalidades tão diversas”, afirmou. Ele disse, ainda, que o ex-presidente Lula e o atual presidente Jair Bolsonaro viraram cabos eleitorais um do outro e mostram extremos dos quais o brasileiro fugiu nas eleições municipais de 2020. Thaís Oyama lembrou que Doria não é rejeitado apenas pelos bolsonaristas, mas também por segmentos da esquerda e do centro, inclusive dentro do próprio partido pelo qual foi eleito, o PSDB. “O governador precisa explicar como é que ele pretende fazer [a união com a centro-esquerda] sendo que os últimos movimentos dele são em direção à direita, ao DEM”, disse, lembrando que tanto ACM Neto, prefeito de Salvador, quanto Rodrigo Maia, já posaram ao lado do atual governador de São Paulo. “O Doria está fazendo esse movimento à direita e ele vai explicar ai como pretende botar todos esses gatos no mesmo balaio. Não me parece exatamente o mais credenciado dos nomes para fazer esse movimento tão difícil”, afirmou.

Veja o programa 3 em 1 desta segunda-feira, 23, na íntegra: