‘Qualquer um pode ser acusado’, diz Paulo Figueiredo sobre supostos desvios milionários de Arthur Lira

Acusação do Ministério Público Federal (MPF) de que Lira comandava grupo e desviou até R$ 254 milhões da Assembleia Legislativa de Alagoas foi discutida no programa 3 em 1

  • Por Jovem Pan
  • 03/12/2020 18h25 - Atualizado em 03/12/2020 18h38
Fátima Meira - Estadão ConteúdoDeputado foi acusado pelo MPF

Indicado pelo Progressistas à presidência da Câmara e apoiado pelo Palácio do Planalto, o deputado Arthur Lira foi acusado pelo Ministério Público Federal de liderar grupo que desviou R$ 254 milhões da Assembleia Legislativa de Alagoas entre os anos de 2001 e 2007, período no qual era deputado estadual. Segundo denúncia, somente ele teria movimentado R$ 9,5 milhões na própria conta em desvios realizados por meio de funcionários fantasmas. A acusação foi tema de debate entre comentaristas do programa “3 em 1”, da Jovem Pan, nesta quinta-feira, 3. Paulo Figueiredo Filho afirmou que Arthur Lira não é o “candidato dos sonhos” dele e que a lista de deputados eleitos não dá boas opções para a pessoa que vai tomar o lugar de Rodrigo Maia. “Mas, tenho que ser justo pelo menos na descrição dos fatos… Quem diz que ele liderou a rachadinha é o Ministério Público Federal, ou seja, os acusadores. Isso é uma acusação. Acusado, qualquer um pode ser, como aliás eu sei bem. E o Ministério Público Federal não é conhecido pelo seu rigor ao fazer as acusações. Eu sei que a gente é cético com a Justiça brasileira e com a impunidade, mas a gente precisa ser extremamente cauteloso antes de repetir as acusações por aí, podem ser que sejam ações levianas”, disse. Ele lembrou que até o momento não viu condenações criminais contra o deputado e que ele é considerado como ficha limpa. Citando outros presidentes da Câmara que já foram presos ou investigados, Figueiredo lembra que “o Congresso brasileiro é meio que isso aí”. “O que me interessa: vai conseguir aprovar as reformas? Vai conseguir aprovar as privatizações? Vai conseguir aprimorar as legislações brasileiras que precisam ser aprimoradas? É isso que eu quero saber”, afirmou.

Thaís Oyama lembrou que Lira não foi condenado, mas foi acusado em uma série de processos além do que envolve a Assembleia de Alagoas. Um dos exemplos citados por ela foi o do “quadrilhão do PP”, no qual o deputado teria recebido R$ 106 mil em propina do então presidente da Companhia Brasileira de Transportes Urbanos, Francisco Colombo. “Então eu me pergunto: como é que ficam aqueles que apoiaram o presidente Jair Bolsonaro, que prometeu na eleição acabar com a corrupção? Acho que essas pessoas não estão nada confortáveis com esse apoio do presidente a um sujeito com uma ficha criminal desse tamanho e tantas acusações pesando na cabeça dele?”, questionou. Ela disse, ainda, não acreditar que o presidente do Brasil esteja incomodado com as investigações em torno de Lira. “Pela natureza do crime do qual o deputado é acusado, a tal ‘rachadinha versão alagoana’ eu acho que o presidente Bolsonaro e os filhos estão se sentindo bem em casa”, ironizou. Josias de Souza lembrou que o penúltimo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, foi preso por corrupção passiva e Rodrigo Maia é investigado pelo mesmo motivo. Ele criticou o fato de que Lira, sob uma chuva de acusações, continue tentando concorrer à presidência da casa “como se nada tivesse sido descoberto sobre ele”. “Se a Lava Jato serviu para alguma coisa, foi para mostrar que o serviço político brasileiro não protelou os seus crimes, ele está apenas se esforçando para protelar as suas culpas. Não há inocentes no palco, só culpados e cúmplices. Os escândalos continuam vindo à tona em ritmo epidêmico, o que ajuda a explicar por que o Brasil vai virando o mais antigo país do futuro do mundo”, pontuou. Para ele, uma possível eleição de Lira mostra que a nação volta à “idade média” seis anos após a ideia de uma revolução contra crimes de corrupção por parte da Lava Jato. Segundo ele, isso não espanta ninguém.

Confira o 3 em 1 desta quinta-feira, 3, na íntegra: