Tentativa de reeleição de Alcolumbre atrasa reformas e mostra prioridade de senadores, diz Constantino

Comentarista do 3 em 1 falou sobre possíveis formas do Congresso receber pedido do ministro Luís Roberto Barroso para afastar senador Chico Rodrigues

  • Por Jovem Pan
  • 16/10/2020 18h28
Jefferson Rudy/Agência SenadoDavi Alcolumbre é do mesmo partido de Chico Rodrigues

Após decisão monocrática pedindo suspensão do senador Chico Rodrigues, flagrado pela Polícia Federal com mais de R$ 30 mil na cueca, o ministro Luís Roberto Barroso decidiu enviar o caso a julgamento no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). O impacto que a decisão do ministro pode causar no Senado foi tema do programa 3 em 1 desta sexta-feira, 16. O comentarista Rodrigo Constantino lembrou que, mesmo com a gravidade do caso, a decisão do ministro pode abrir brechas para que outros pedidos semelhantes sejam feitos pela Corte. Ele lembrou, ainda, que o partido de Chico Rodrigues é o mesmo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que tem mostrado prioridades diferentes.

“O Davi Alcolumbre está tentando uma reeleição inconstitucional e isso tem tomado lá todas as articulações do Senado, inclusive atrasando reformas importantes para o país. Isso mostra bem o senso de prioridade dos nossos senadores em média. Claro que sempre tem as honrosas exceções, mas estou falando na média”, pontuou, lembrando, ainda, que são com esses senadores que o presidente Jair Bolsonaro precisa conversar para conseguir governar o Brasil. Thaís Oyama concordou e apontou que a decisão de Barroso pode ser usada como brecha para que o próprio Alcolumbre e outros senadores se desviem de votar a favor da suspensão e tudo “acabe em pizza”.

“Ele vai poder usar esse caso, que veio do STF, como uma forma de dizer que ‘não, o legislativo não vai se dobrar ao STF e é por isso que a gente não vai querer afastar o senador Chico Rodrigues’. Um um senador pode falar assim: eu vou votar contra o afastamento porque eu tenho medo de ser o próximo, porque eu não quero que um colega meu se de mal,l porque eu tenho espírito de porco’, ou é mais fácil para o senador falar ‘eu vou votar contra o afastamento de chico rodrigues porque isso significa uma intromissão indevida, um ataque a autonomia, a soberania do congresso, é muito mais bonita a segunda alternativa, né? e foi isso que o ministro Barroso ofereceu para os senadores”, disse. A comentarista viu como um atenuante, porém, a decisão do próprio ministro de enviar o caso para plenário.

Josias de Souza lembrou que a primeira vez na qual um político foi deposto por ter cometido “quebra de decoro”, no ano de 1949, também envolvia uma polêmica com cuecas, na qual o deputado Barreto Pinto posou usando uma samba-canção e um fraque para uma revista. Para ele, a noção de decoro mudou. “Os senadores alguns deles, preferem aconselhar o cuequeiro a se licenciar voluntariamente do mandato, cedendo a vaga para o filho, que é suplente. Quer dizer, a noção de decoro parlamentar mudou muito no Brasil. Antes era inadmissível combinar fraque com uma cueca samba-canção. Hoje, em plena era de lavagem de capitais, há quem tolere um senador que suja dinheiro sob a cueca entre as nádegas. Esse país está ficando realmente surreal”, afirmou.

Confira o programa 3 em 1 desta sexta-feira, 16, na íntegra: