Exclusivo: Rogério Ceni revela que ficou ‘dois dias trancado em casa’ após ser demitido do Cruzeiro

  • Por Jovem Pan
  • 02/10/2019 14h00
ReproduçãoRogério Ceni concedeu entrevista exclusiva à Jovem Pan após deixar o Cruzeiro e voltar ao Fortaleza

Pouco mais de dois dias separaram a demissão de Rogério Ceni do Cruzeiro da confirmação do retorno do treinador ao Fortaleza. Durante este período, vivido ainda em Minas Gerais, o maior goleiro artilheiro da história do futebol ficou “trancado em casa”, refletindo sobre a conturbada passagem pelo clube celeste e a possibilidade de voltar ao Leão do Pici.

A revelação foi feita pelo próprio Rogério Ceni, em entrevista exclusiva ao locutor Nilson Cesar, do Grupo Jovem Pan. Em um rápido bate-papo, o treinador abriu o coração, admitiu que estava decidido a descansar até o fim do ano, mas contou que a persistência dos dirigentes do Fortaleza e a gratidão pelo clube nordestino o fizeram retornar ao atual campeão da Série B.

Dias depois de deixar o comando do Cruzeiro devido a problemas com jogadores mais experientes do elenco, como Thiago Neves, Dedé, Robinho e Edílson, Rogério celebrou também a possibilidade de voltar a trabalhar com um grupo que definiu como “mais parelho”, com atletas “de um padrão mais ou menos parecido”, mas todos com “muito brilho” nos olhos.

Confira abaixo, em vídeo e texto, a entrevista exclusiva de Rogério Ceni a Nilson Cesar:

Quais os motivos que o fizeram aceitar novamente o convite do Fortaleza para retornar?

“O que me motivou a voltar ao Fortaleza depois de dois dias trancado dentro de casa em Belo Horizonte, pensando muito sobre o que havia acontecido, foi a gratidão. Principalmente pelo carinho do povo daqui, a energia positiva, a atmosfera que se construiu no estádio e pela persistência do presidente Marcelo Paz e do ex-presidente Doutor (Eduardo) Girão. Os atletas que aqui deixei, que formam um grupo bem bacana de se trabalhar. Eu tinha a opção de descansar, que era uma opção que eu queria, mesmo… Eu estava predisposto e decidido a isso, mas também não queria deixar o Fortaleza… Eu sei que é uma briga grande até o fim, vai ser uma briga ponto a ponto até a última rodada para escapar do rebaixamento. É um risco muito grande para a minha carreira, mas eu não poderia deixar de voltar para cá.”

Você tem um grupo de jogadores que criaram um carinho muito grande por você. Esse entendimento entre treinador e jogadores ainda é fundamental para um grande trabalho?

“É muito mais gostoso de se trabalhar quando você cria um vínculo, uma amizade com um grupo de jogadores… Um grupo mais parelho, jogadores de um padrão mais ou menos parecido. O Fortaleza está começando a investir nas categorias de base, mas ainda não produz jogadores de base que possam servir ao profissional no mesmo ano, mas é algo que, com o passar dos tempos, o clube vai investir nesse aspecto. Mas o grupo aqui é muito parecido. Alguns jogadores mais velhos, outros mais novos, mas todos se dão muito bem, se tratam muito bem. Então, é gostoso de trabalhar, é um prazer, porque eles lutam, você vê sempre muito brilho neles. Nós podemos ter algumas limitações, inclusive a minha, de um treinador mais jovem, mas nós temos muita alma, muito coração, e isso conta muito.”

Sinto que a energia em Fortaleza lhe favorece muito. O clube tem uma torcida incrível. Até onde você acha que esse time pode chegar no Brasileirão?

“A torcida aqui é realmente algo espantoso. O Nordeste como um todo é uma região que tem no futebol um dos poucos entretenimentos de massa, e a paixão clubística salta mais aos olhos das pessoas. A Arena Castelão, com uma acústica fantástica, o carinho dos torcedores no dia a dia nas ruas… Você vê o orgulho deles pelo clube estampado nas camisas no dia seguinte nas ruas. Cada jogo aqui se torna uma final, porque, para um time como o Fortaleza vencer na Série A, é um grande desafio. Cada jogo é uma grande emoção para o torcedor. A gente nunca sabe o limite, mas eu acho que a permanência entre os 16 primeiros colocados seria uma vitória extrema de um grupo que veio da Série C para a Série A em três anos.”