‘Amapá terá 100% da energia em uma semana’, diz ministro de Minas e Energia

Bento Albuquerque defendeu que é necessário rever o planejamento estratégico para a região, e lamentou o ocorrido no estado: ‘Inaceitável e inadmissível’

  • Por Jovem Pan
  • 10/11/2020 00h10 - Atualizado em 10/11/2020 00h15
Agência BrasilMinistro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, foi entrevistado do Direto ao Ponto

Nesta segunda-feira, 9, completou o 7º dia de um apagão no estado do Amapá que deixou 89% da população sem luz, e causou prejuízos ao comércio, ao fornecimento de água potável e ao sistema de telecomunicações. Parte da energia em 13 dos 16 municípios do estado foi retomada no sábado, 7, e o governo estabeleceu um rodízio do fornecimento de luz com duração de seis horas, por regiões. O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou em entrevista ao programa Direto ao Ponto, da Jovem Pan, que a luz só será retomada em 100% dos municípios daqui a cerca de sete dias, quando devem chegar os geradores termelétricos de grande porte que estão sendo transportados para Macapá. Segundo ele, hoje 70% da carga normal está mantida, e até esta quarta-feira, 11, mais 25% megawhats serão incorporados, aumentando a carga em mais 10%. Albuquerque foi sabatinado por Augusto Nunes, apresentador do programa, Celso Masson, diretor de núcleo da “IstoÉ Dinheiro”, Camila Maia, jornalista da “MegaWhat”, especializada no setor de energia, além de Tiago de Mattos, presidente do IBDM (Instituto Brasileiro de Direito Minerário) e colunista do Jota, e Carlos Evangelista, presidente da ABGD (Associação Brasileira de Geração Distribuída).

A causa do apagão ainda não foi determinada, mas a principal conclusão é que um incêndio atingiu a subestação de energia elétrica localizada na Zona Norte da capital Macapá. “O que sabemos é que houve uma tempestade muito forte na cidade de Macapá, com muita incidência de raios, e algumas pessoas acreditam que um dos raios atingiu um dos três transformadores que explodiu, seguido de um incêndio, que afetou outro transformador que estava em linha”, explicou o ministro. De acordo com ele, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já iniciou os procedimentos administrativos para apurar as responsabilidades da Linhas de Macapá Transmissora de Energia (LMTE) pelo apagão, e a concessão da empresa responsável, a espanhola Isolux, pode ser cassada. “O que ocorreu no Amapá é inaceitável e inadmissível, não é possível que um estado interligado ao sistema nacional sofra um apagão e e leve três dias para restabelecer parte de sua carga”, afirmou Albuquerque. “O importante é que a população saiba que todas as autoridades e empresas estão fazendo um esforço muito grande, e não só na questão da energia. Foi estabelecida uma operação de guerra para prestar todo o apoio a população do Amapá”, continuou.

Além disso, o ministro disse que é necessário rever o planejamento estratégico para a região, pois é um “estado que está na ponta”. “Temos que buscar um planejamento e, no Brasil, há várias fontes renováveis. Não é o do governo A, B ou C, mas um plano de estado. Temos que ter planejamento de longo prazo, uma reavaliação do sistema energético para regiões que ficam na ponta do sistema, e a geração local também é importantíssima. O gás natural terá um papel fundamental também”, disse. Ao ser questionado se seria possível ocorrer novamente no Brasil um apagão semelhante ao de 2011, que atingiu todos os estados do Nordeste exceto o Maranhão, o líder da pasta afirmou que “o sistema elétrico está muito mais sólido e menos vulnerável”. Ele citou, por exemplo, a interrupção de energia ocorrida em Santa Catarina em julho deste ano durante a passagem do ciclone bomba. “Durante a pandemia, o setor elétrico se mostrou muito resiliente. Tivemos um apagão em SC restabelecido em 12 ou 14 horas, isso mostra que o sistema é confiável”, destacou Alburquerque.

Privatizações

A privatização da Eletrobras perdeu força durante a pandemia mas, segundo o ministro de Minas e Energia, deve ocorrer ainda em 2021. A companhia precisa investir, em média, R$ 14 bilhões ao ano — mas consegue aportar, no máximo, R$ 4 bilhões. Ao ser questionado sobre a demora no processo, Albuquerque disse que está trabalhando “a quatro mãos” com os presidentes da Câmara, Rordrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre. “Esse não é um projeto do governo, é um projeto do Brasil”, disse. “Estamos trabalhando nesse sentido com o Congresso Nacional”, completou.

Bento Albuquerque também comentou sobre a Petrobras. Ele reafirmou o que já disse o presidente Jair Bolsonaro, que a empresa “não será privatizada”, mas destacou que é a “petroleira mais endividada do mundo”. Nos últimos meses, a Petrobras vem anunciando ao mercado a venda de diversos ativos de exploração e produção de petróleo e gás natural, especialmente os campos localizados em terra ou águas rasas. “A Petrobras, durante a pandemia, exportou 36% mais de petróleo, bateu recordes de produção e exportação, foram 1,5 milhão de barris por dia. Endividada é o passado dela, por causa do Petrolão, de um plano de negócios mal conduzido… Agora está sendo muito bem administrada, o País precisa de empresas fortes”, elogiou o ministro. Apesar disso, Albuquerque ressaltou que “atualmente, não faria uma Petrobras”. “Não faz nenhum sentido um estado capitalista ter uma empresa de petróleo. 63% do petróleo exportado pela Petrobras é para a China, todas empresas privadas na China. Fez sentido no passado, hoje faz sentido você ter empresas”, acrescentou.

Assista ao programa na íntegra: