‘É necessário que todas as pessoas se vacinem para controlarmos a Covid-19’, diz Jorge Kalil

Diretor do Laboratório de Imunologia do Incor também afirmou que é ‘muito difícil’ o Ministério da Saúde conseguir imunizar toda a população em razão da escassez de vacinas

  • Por Jovem Pan
  • 22/02/2021 23h40
Reprodução/YouTube/Jovem Pan NewsKalil também citou a falta de 'comando federal' no combate à pandemia no Brasil

Diretor do Laboratório de Imunologia do Incor e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Investigação em Imunologia, o médico Jorge Kalil Filho disse, em entrevista ao programa Direto ao Ponto, da Jovem Pan, que “é necessários que todas as pessoas se vacinem para controlarmos” a Covid-19 no Brasil. Kalil também alertou para a falta de vacinas no Brasil e reforçou a necessidade de a população manter o distanciamento social, sobretudo em um contexto no qual variantes do novo coronavírus têm sido detectadas em diversas partes do país. Um dos profissionais de saúde mais proeminentes da luta contra a pandemia, Kalil coordena um grupo que está desenvolvendo uma vacina nasal em spray. Trata-se de um produto 100% nacional e, de acordo com o médico, adaptável para as diferentes variantes do vírus.

“O Brasil tem uma capacidade de vacinação fantástica. Temos 38 mil salas de vacinação espalhadas pelo país, mais de 120 mil pessoas treinadas para a vacinação. Quando tivemos a Influenza, vacinamos 80 milhões de pessoas em 3 meses sem nenhum ruído, sem estardalhaço. O Brasil começou muito mal a sua vacinação, quando comparado com o mundo, mas tem vacinado bem, em um ritmo bom e acelerado. Para isso precisamos de vacina. Não temos vacina suficiente. Faltam no mundo, mas faltam sobretudo no brasil. A Europa, os Estados Unidos, o Canadá, têm bastante vacina. O Canadá comprou seis vezes o número de vacinas necessárias para vacinar a sua população. A vacina é vida. Sempre foi, mas agora ainda mais”, disse.

O doutor Jorge Kalil também criticou a disseminação de notícias falsas que desestimulam a vacinação. Para o médico, grupos antivacina são movidos por “raciocínios dos mais escabrosos” e prestam um desserviço à população. “As notícias falsas são terríveis. Existem grupos movidos por raciocínios dos mais escabrosos. Temos pessoas que são contra as vacinas, sim, por razões exotéricas, e aproveitam este momento em que tudo está muito exposto. A gente sempre fez ciência e poucas pessoas ficavam sabendo. Hoje está parecendo o Big Brother. Os resultados saem do laboratório e as pessoas ficam sabendo. A certeza se cria com o tempo. As pessoas acompanham e ficam ansiosas e criam falsas notícias. Há muitas coisas que são falsas. Temos que saber utilizar os dados: eles podem ser úteis, se a pessoa souber usar, ou pode te levar a ter conclusões das mais erradas”, afirmou.

Na avaliação de Jorge Kalil, é “muito difícil” que o Ministério da Saúde, pasta comandada pelo general Eduardo Pazuello, consiga cumprir a promessa de vacinar toda a população brasileira até o final do ano, em razão da escassez de vacinas. “Acho muito difícil [o cumprimento do prazo], porque não há vacina para fazer isso. Se tivéssemos vacina à vontade, temos sistema de distribuição, somos capazes de vacinar. Mas não compramos vacina suficiente, nós não entendemos qual era o risco na compra de vacina. O Canadá comprou o suficiente para imunizar seis vezes a sua população. Nós deveríamos ter comprado mais vacinas para vacinar a população. É importante que vacinemos. Outras vacinas melhores virão com o passar do tempo, mas é importantíssimo vacinar o máximo agora, para conter a crise e diminuir o número de infecções e de mortes. [Na época da Influenza, vacinamos] 1 milhão de pessoas por dia, o Brasil consegue. A sociedade está pró-vacina. Dá para fazer, mas tem que ter vacina”, acrescentou.

Sobre a gestão do governo federal no combate à pandemia, Kalil afirmou que “faltou realmente um comando” e criticou a gestão do ministro Pazuello. “Carecemos de uma liderança em um momento muito difícil para o país”, resumiu. “O que vi, no começo, é que o comando federal deixou de existir quando o Supremo Tribunal Federal disse que as decisões caberiam a estados e municípios. O Brasil sempre teve comando federal nessas questões e a partir daquele momento não vi mais condições para que houvesse um comando federal. Cada estado agiu de determinada maneira. Nas vacinas sempre houve comando federal. Na aquisição e na distribuição. Acho que faltou realmente um comando. Talvez precisássemos de um general que entendesse de saúde, não de logística, e que realmente, por competência, conseguisse fazer uma liderança. Carecemos de liderança em um momento muito difícil para o país”, explicou.