45% dos brasileiros desempregados negam estar sem trabalho por vergonha

Segundo pesquisa do LinkedIn, 48% dos entrevistados já deixaram de se candidatar para uma vaga por sentir que não tinham as habilidades necessárias

  • Por Jovem Pan
  • 26/05/2021 09h02 - Atualizado em 26/05/2021 16h20
Rafael Neddermeyer/Fotos PúblicasMais de dois mil profissionais em busca de recolocação foram entrevistados pela empresa

A taxa de desemprego no Brasil é alta desde 2016, mas o impacto econômico da pandemia da Covid-19 agravou esse quadro. Segundo o IBGE, o número de desempregados hoje é estimado em 14,4 milhões de brasileiros. Uma pesquisa feita pelo LinkedIn, rede social profissional, aponta que muitas destas pessoas escondem o fato de não terem trabalho. Mais de dois mil profissionais em busca de recolocação foram entrevistados e 45% disseram que já esconderam o desemprego. Entre os motivos, está a vergonha. A Carina é farmacêutica e conseguiu voltar ao mercado de trabalho há um mês.

Antes disso, foi um ano de busca, tempo em que chegou a omitir sobre estar desempregada. “Umas duas ou três vezes eu cheguei a mudar de assunto principalmente quando fazem aquela pergunta ‘O que você faz da vida?!’ É muito chato porque as pessoas esperam que você seja produtivo o tempo todo, em todos os momentos. E se você não for produtiva, pelo menos no emprego você é julgado e é visto de uma maneira diferente.” O estigma negativo do desemprego foi citado por nove em cada dez entrevistados — embora muitos tenham a percepção de que a pandemia tenha trazido um olhar menos preconceituoso para quem está em busca de trabalho, uma vez que a crise relaciona a falta de oportunidade com o fechamento de vagas.

Apesar disso, uma parcela dos desempregados acredita que revelar esta condição atrapalha nos processos de seleção. Flávio Gravina é especialista em recrutamento de uma empresa de consultoria. Ele desfaz o mito e orienta que o profissional seja extremamente franco nos processos de seleção. Flávio não nega que quem está há muito tempo desempregado tem menos chances, por isso orienta. “Que aceitem projetos, muitas vezes temporários, um, dois, três meses. É, claro, muitas vezes com salário inferior em relação ao último, mas para não ficar parado.” O mesmo vale para qualificação: invista em cursos para não perder uma oportunidade futura. Segundo a pesquisa, 48% dos entrevistados já deixaram de se candidatar para uma vaga que desejavam por sentir que não tinham as habilidades necessárias.

*Com informações da repórter Carolina Abelin