Ação da PF revolta deputados atingidos e amplia tensão no Congresso

  • Por Jovem Pan
  • 28/05/2020 06h09 - Atualizado em 28/05/2020 07h56
Agência SenadoUm dos alvos da busca e apreensão, o ex-deputado Roberto Jefferson concedeu entrevista exclusiva ao programa Pingos nos Is

Em uma quarta-feira (27) de poucas votações, a operação da Polícia Federal no âmbito do inquérito das fake news foi a principal discussão no Congresso e dividiu opiniões entre os parlamentares.

Pelas redes sociais, o presidente do Senado Davi Alcolumbre disse apenas que as notícias falsas “contaminam a sociedade como um todo, ofendem qualquer cidadão, distorcem qualquer fato e comprometem a liberdade de expressão”.

Em coletiva, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, preferiu não opinar sobre o mérito do inquérito. Mas, repetindo o teor do pronunciamento feito na última terça, disse que a decisão deve ser respeitada.

Os governistas fizeram fortes críticas ao Supremo Tribunal Federal. Convocada para depor no inquérito, a deputada Carla Zambelli classificou a investigação como “ilegal e inconstitucional”, disse que “estamos vivendo um estado de exceção” e pediu que o Senado analise pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes.

Também foi o caso do deputado Filipe Barros, que, em nota, afirma que tem o direito de se manifestar “livremente contra posturas equivocadas e autoritárias de ministros do STF” e que “aparentemente, o que o STF está querendo é provocar uma ruptura institucional para, depois, acusar a direita de antidemocrática”.

Já para a deputada Bia Kicis, “estamos vivendo tempos sombrios de ataque descarado à democracia”.

Um dos alvos da busca e apreensão, o ex-deputado Roberto Jefferson concedeu entrevista exclusiva ao programa Pingos nos Is. Ele também criticou o ministro Alexandre de Moraes.

No plenário, membros da oposição elogiaram a operação da PF. O deputado Paulo Teixeira (PT) classificou como uma resposta ao que é praticado pelo chamado “gabinete do ódio”. A líder do PSL, deputada Joice Hasselmann, também apoiou a decisão do Supremo.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, também cobrou das plataformas digitais uma melhor fiscalização sobre perfis e postagens que espalham notícias falsas. Segundo ele, o que não pode acontecer é essas estruturas serem usadas contra as instituições democráticas.

*Com informações do repórter Levy Guimarães