Acordo comercial entre Mercosul e UE depende da postura do Brasil

Bloco deixou claro que a ratificação está condicionada a política ambiental do governo Bolsonaro

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 21/10/2020 08h04 - Atualizado em 21/10/2020 08h11
Isac Nóbrega/PR O tema principal nas conversas foram as negociações com os sul-americanos e a tentativa de salvar o acordo

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia respira por aparelhos, mas pode ser salvo — a depender da postura do Brasil. O bloco já deixou claro que a ratificação do acordo está condicionada a política ambiental do governo de Jair Bolsonaro, sobretudo na Amazônia. Nesta semana, o novo comissário europeu para comércio exterior, Valdis Dombrovskis, concedeu uma série de entrevistas para publicações do continente para marcar sua chegada ao cargo. O tema principal nas conversas foram as negociações com os sul-americanos e a tentativa de salvar o acordo que levou 20 anos para ser firmado.

Dombrovskis indicou que hoje a ratificação parece improvável diante da postura adotada por países como França, Irlanda e Áustria. O parlamento europeu também já indicou em votação recente que não há chances do texto original ser levado adiante. Ocorre que este acordo de livre comércio também é muito importante para a União Europeia. Na verdade, ele é considerado o mais lucrativo do bloco até o momento — seria um dos maiores acordos comerciais do mundo em termos de economia de tarifas e daria à indústria europeia grande vantagem nos mercados altamente protegidos da América do Sul.

Por isso, o novo comissário do bloco está se esforçando para tentar levar a ratificação adiante. Ao jornal The Guardian, Dombrovskis disse que está em contato informal com o governo em Brasília para sentir que tipo de compromisso poderá alcançar em relação à proteção da Amazônia. No site Político, o comissário também ressaltou a importância de garantir adesão dos países do Mercosul aos termos do Acordo de Paris, que trata de ações efetivas para conter as mudanças climáticas. Mas no momento parece difícil que a situação avance — ao menos no curto prazo, considerando o posicionamento atual do Brasil e também os interesses internos de franceses e irlandeses.