‘Agosto Dourado’: Ministério da Saúde lança campanha de incentivo à amamentação

Dados apontam que o leite materno é capaz de reduzir em até 13% os índices de mortes de crianças menores de cinco anos; ação quer incentivar a prática mesmo em casos de Covid-19

  • Por Jovem Pan
  • 03/08/2021 11h20 - Atualizado em 03/08/2021 12h43
Divulgação/Projeto Fotográfico Mamaço no EspaçoSegundo a OMS e a Unicef, cerca de seis milhões de vidas são salvas por causa do aumento das taxas de amamentação exclusiva até o sexto mês de idade

A veterinária Daianna Burlini, de 35 anos, deu a luz ao Dani em janeiro deste ano. Ela conta que enfrentou dificuldades com o início amamentação. Segundo ela, oito dias após o parto, a criança ainda se negava a pegar o seio materno e, ao mesmo tempo, já com a mama machucada, Daianna se sentia frustrada. “Mesmo tentando fazer a pega correta, seguir as recomendações de como amamentar corretamente, mesmo assim eu fiquei muito machucada. Os meios dois seios ficaram com um buraco”, conta, afirmando que mesmo com os desafios não desistiu. Agora, com seis meses, Davi segue com aleitamento materno exclusivo. “No meu caso, foi o apoio do meu marido que vestiu a camisa comigo e mesmo que na primeira semana o bebê tenha perdido peso, ele me incentivou a continuar até que a gente conseguisse amamentar de forma tranquila”, relata. Casos como o da Daianna são muito comuns. De acordo com a pediatra, neonatologista e nutróloga da UTI neonatal do Hospital e Maternidade Pro Matre, Débora Passos, dores e fissuras nos mamilos podem surgir durante a amamentação. No entanto, algumas mudanças podem fazer com que o bebê se alimente bem, sem prejudicar a saúde dos seios da mãe.

“Se você não orienta essa mãe, não fortalece essa mãe de que essa dor vai passar, de que vamos corrigir a pega, de que temos como mudar a posição do bebê para que ele não pegue sempre no mesmo ponto e isso vai minimizar a dor. Muitas vezes medicamos a mãe para a dor e faz alguns tratamentos para ajudar”, explica. No Brasil, o mês de agosto é conhecido como “agosto dourado” por simbolizar a luta pelo incentivo à amamentação. O leite materno é considerado a melhor fonte de nutrição para bebês, sendo capaz de reduzir em até 13% os índices de mortes de crianças menores de cinco anos, segundo o Ministério da Saúde, que recomenda a prática até os 2 anos de idade ou mais e, de forma exclusiva, nos seis primeiros meses de vida. Durante a pandemia, a amamentação trouxe muitas dúvidas para as mães. Por causa disso, a pasta da Saúde lançou a campanha “Todos pela Amamentação é proteção para a vida inteira”, com o objetivo de incentivar a prática mesmo em casos de Covid-19. A pediatra Débora Passos esclarece que são raras as vezes em que a mãe não pode amamentar.

“A gente toma todos os cuidados para que a mãe use máscara. O aleitamento materno é indicado e continua sendo realizado, inclusive porque a mãe transmite os anticorpos que ela está produzindo”, afirma. Ainda segundo a médica, os benefícios do aleitamento materno não se restringem somente à criança. “A mãe que amamenta tem 6% menos risco de desenvolver câncer de mama. Os benefícios para a mãe também quando ela amamenta, em termos do útero voltar ao tamanho original, o organismo da mãe, o emagrecimento pós-parto o aleitamento ajuda”, pontua. A semana mundial do aleitamento materno é celebrada em mais de 120 países, entre os dias 1º a 7 de agosto. Neste ano, em sua 30ª edição, a campanha vem com slogan: “Proteja a amamentação: uma responsabilidade compartilhada”. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Unicef, cerca de seis milhões de vidas são salvas por causa do aumento das taxas de amamentação exclusiva até o sexto mês de idade.

 

*Com informações da repórter Caterina Achutti