Análise de esgoto em Belo Horizonte ajuda a traçar estratégia de combate à Covid-19

Superintendente de planejamento da Agência Nacional das Águas explicou como estudo do esgoto virou ferramenta de vigilância epidemiológica complementar

  • 18/07/2020 10h39
Agência BrasilEstudo acompanha tendências do coronavírus a partir do esgoto

Uma análise do esgoto em Belo Horizonte, comandada pela Agência Nacional de Águas, indicou que a população infectada pelo novo coronavírus pode ser até 75 vezes maior do que casos confirmados. Em entrevista ao Jornal da Manhã deste sábado, Sérgio Ayrimoraes, superintendente de planejamento da ANA explicou a importância do estudo. “Essa informação nos dá uma medida da evolução das pessoas infectadas na cidade de BH. Tínhamos há semanas uma estimativa de 50 mil pessoas e tivemos uma evolução bastante acentuada do número de infectados. Nos traz também estimativa dos portadores assintomáticos, que não manifestam a doença e não são testados. Com esse mapeamento, conseguimos avaliar o número de pessoas infectadas que não tem sintomas e com isso traçar estratégias com relação ao isolamento social, para saber se é hora de haver relaxamento ou fortalecimento das medidas.”

Segundo Ayrimoraes, o estudo do esgoto “passa a ser um indicador importante e ferramenta de vigilância epidemiológica complementar”:”O esgoto acaba dando uma série de informações sobre a saúde da população. A coleta e tratamento de esgotos são importantes para a saúde pública e proteção do meio-ambiente. Mas complementarmente também pode nos dar uma série de dados. No caso da pandemia, tem permitido o mapeamento da concentração do coronavírus, com quais regiões têm mais caso , além de sugerir evolução de mais casos e do pico.”

O superintendente ainda aproveitou para comemorar a aprovação do Marco Legal do Saneamento, que classificou de “momento importante para o País” e, apesar dos vetos à matéria, ele acredita que “o Congresso vai discutir novamente e sem dúvida, espero, terá maturidade para tomar as melhores decisões.”