Aplicação de vacinas sem reserva para 2ª dose é ‘decisão correta’, diz ex-secretário de saúde

Giovanni Guido Cerri comenta a determinação do Ministério da Saúde e cita o Reino Unido como exemplo de sucesso da estratégia : ‘Vale a pena’

  • Por Jovem Pan
  • 28/03/2021 11h50 - Atualizado em 28/03/2021 12h01
EFE/Joédson Alves

Em uma nova mudanças nas diretrizes sobre a vacinação contra a Covid-19, o Ministério da Saúde recomenda a aplicação de todas as doses de imunizantes disponíveis sem reversas para segunda aplicação. A determinação, que busca ampliar o número de brasileiros dos grupos prioritários vacinados, pode ser considerada como uma “decisão correta” da pasta, avalia o ex-secretário de saúde do Estado de São Paulo, Giovanni Guido Cerri. “O Reino Unido vacinou quase 50% da população, pouco mais de 2,5% teve a segunda dose. Seguiram a política de dar uma dose e o resultado foi muito bom, houve queda de 90% dos casos. O Reino Unido se baseou na vacina da AstraZeneca, que vai ter uma disponibilidade maior a partir dos meses de abril e maio, quando nós vamos começar a produzir pela Fiocruz a nova vacina. Quanto mais gente vacinada, mesma que com uma dose, que dá uma proteção bastante alta, vale a pena nesse momento de grande pandemia. Decisão é correta, segue o que o Reino Unido fez com sucesso”, disse em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan.

Giovanni Guido Cerri, que também é professor titular da Faculdade de Medicina da USP e vice-presidente do Instituto Coalizão Saúde, avalia que o momento atual da pandemia no Brasil é o pior que já vivemos, citando a sobrecarga das unidades de terapia intensiva (UTIs) e a fila por uma vaga nos leitos. Segundo ele, considerando o contexto, é preciso incentivar o isolamento social, a adesão os protocolos sanitários e evitar “ficar doente”. “Se tivemos tido mais disciplina, colaboração em situações anterior, possivelmente teríamos evitado esse momento trágico e não conseguimos ver fim do ciclo. Infelizmente, a Covid-19 surpreendeu a todos na sua forma prolongada  transmissão”, disse, sinalizando a maior transmissibilidade da variante de Manaus, que é mais contagiosa e atinge pessoas jovens em maior proporção.

O ex-secretário de saúde considera que o descompasso das autoridades e o negacionismo são fatores que contribuíram para o agravamento da pandemia no Brasil. “Falta uma conscientização, isso começou com muito negacionismo e, hoje, a sociedade está percebendo a necessidade de respeitar mais as regras. Mas ainda falta uma adesão, talvez as pessoas pudessem continuar trabalhando de uma forma mais normal se as medidas tivessem sido respeitadas. Muitos acabaram sendo prejudicados porque uma parte da população minimizou a importância dessas medidas. Parte da crise social que estamos vivemos é resultado da falta de disciplina e da falta de seguir as recomendações da saúde.”