Após fala de Bolsonaro, Mourão diz que Forças Armadas são despolitizadas

Declaração acontece depois do presidente da República afirmar que os militares é que decidem se ‘povo vai viver numa democracia ou numa ditadura’

  • Por Jovem Pan
  • 20/01/2021 07h43 - Atualizado em 20/01/2021 11h03
FILIPE BISPO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDOSegundo Mourão, no Brasil, os militares são despolitizados e não têm comprometimento com qualquer projeto ideológico

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, concorda com a opinião do presidente Jair Bolsonaro de que quem decide se um povo vai viver em uma democracia ou em uma ditadura são as Forças Armadas. Para o general a constatação é óbvia, mas não se aplica ao Brasil. Segundo ele, no país, os militares são despolitizados e não têm comprometimento com qualquer projeto ideológico. “O presidente já tocou nesse assunto várias vezes. É óbvio que se você tiver Forças Armadas indisciplinadas ou comprometidas com projetos ideológicos, a democracia fica comprometida. Não é o caso do Brasil, obviamente, mas temos o nosso vizinho, a Venezuela, que vive uma situação dessas. As Forças Armadas são totalmente despolitizadas, não estão comprometidas com nenhum projeto ideológico. Elas estão comprometidas com a função delas”, disse.

Na avaliação dele, a presença dos militares no governo, alguns deles da ativa, como é o caso de Eduardo Pazuello, não significa que as Forças Armadas apoiem a gestão Bolsonaro. Mourão reconhece, no entanto, que para a população seja difícil fazer essa separação. O vice-presidente sabe que eventuais erros cometidos por militares no governo podem refletir no apoio da socieda às Forças Armadas. “Independente de estar na ativa ou na reserva, qualquer miliar é visto como representante das Forças. E a situação do ministro Pazuello, como ministro da saúde, ele vem procurando as melhores soluções para essa crise da pandemia e óbvio que isso tem pontos favoráveis e contra a gestão dele.”

Mourão rebateu, inclusive, as críticas feitas à gestão de Pazuello no Ministério da Saúde. Para o vice-presidente, não houve erro no planejamento de distribuição das vacinas que, segundo ele, atrasaram para chegar porque o cronograma teve que ser adiantado por pressão dos governadores. O general afirma que o ideal é que o Brasil possa produzir os imunizantes em escala para imunizar 70% da populaão até o fim do ano, ou seja, cerca de 150 milhões de pessoas.

*Com informações do repórter Antônio Maldonado