Após troca na liderança do governo no Congresso, Joice e Eduardo trocam farpas

  • Por Jovem Pan
  • 21/10/2019 06h34
ReproduçãoSem Joice na linha de frente do Congresso, Bolsonaro perde articulação

Com a viagem do presidente Jair Bolsonaro (PSL) por quase duas semanas pela Ásia e Oriente Médio, a temperatura na crise dentro do PSL pode dar uma diminuída. Isso não quer dizer, no entanto, que o problema estará mais próximo de ser resolvido.

Mesmo longe, o presidente da República acompanhará com atenção os passos que serão dados nos próximos dias pelos principais agentes que compõem a legenda. Antes de embarcar, neste sábado, Bolsonaro foi questionado se permanecerá no PSL, e pediu ao repórter que fizesse a pergunta aos dirigentes do partido.

O fato é que o chamado grupo bolsonarista do PSL ainda acredita que conseguirá as assinaturas necessárias para conduzir o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) ao posto de líder do partido na Câmara. Esse seria o primeiro passo para que essa ala tomasse o controle da legenda do atual presidente, o deputado federal Luciano Bivar (PSL-PE).

Mas enquanto esses parlamentares se articulam, os aliados de Bivar, que até agora são maioria, trabalham no sentido contrário: para diminuir a força dos bolsonaristas.

Tanto é que deputados eleitos pelo PSL em São Paulo e no Rio de Janeiro vão pedir a troca no comando dos diretórios estaduais, que hoje estão a cargo de Flavio (PSL-RJ) e Eduardo Bolsonaro. A ideia é justamente diminuir o poder dos bolsonaristas dentro da estrutura partidária.

A questão é que o racha no PSL pode ter impacto direto na capacidade de governar do presidente da República, que não tem mais a garantia de poder contar com o apoio dos 53 deputados do partido.

A agora ex-líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselman, que foi retirada do cargo justamente por não ter apoiado a ida de Eduardo para a liderança, trocou ofensas com o filho do presidente da república, pelas redes sociais, ao longo do fim de semana.

Independentemente de quem possa ter razão ou não, o fato é que a deputada vinha sendo, desde o início do ano, uma das principais interlocutoras do Palácio do Planalto com o parlamento. Sem ela, a articulação com o congresso perde. Com ela como desafeto, a situação fica ainda mais complicada.

O fato é que, mesmo longe do Brasil, o presidente Jair Bolsonaro estará de olho nas decisões e nos desdobramentos da crise que, na avaliação de diversos parlamentares, poderia ser resolvida com uma conversa entre ele e Luciano Bivar.

*Com informações do repórter Antonio Maldonado