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Gravações, áudios e guerra de listas: Entenda a crise no PSL
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Jovem Pan
18/10/2019 11h38 - Atualizado em 18/10/2019 11h43
Divulgação/PSLRacha no partido se agravou na semana passada
A divulgação de gravações, áudios, listas e conflitos internos colocou Partido Social Liberal (PSL) na berlinda na última semana. A crise na legenda, que já foi protagonista de algumas polêmicas desde o início do ano – a exemplo da demissão do então ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, em fevereiro, passando pela expulsão de Alexandre Frota e pelo nome de Flávio Bolsonaro envolvido com a CPI da Lava Toga -, quando conseguiu eleger um grande número de políticos na onda do bolsonarismo, se expandiu na última terça-feira (8).
A fala de Bolsonaro causou repercussão e houve especulação de que ele poderia deixar o partido, mas os parlamentares avaliaram o comentário do presidente como uma forma de assumir a liderança da legenda e se afastar de investigações de corrupção, já que Bivar é um dos nomes citados em investigações sobre supostas irregularidades na campanha eleitoral do ano passado, assim como o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio. Ambos são acusados de ter utilizado candidaturas laranja para desviar dinheiro o fundo que financia campanha para mulheres.
No dia seguinte, Bivar declarou que Bolsonaro já havia decidido pela saída do partido. “Quando ele diz a um estranho para esquecer o PSL, mostra que ele mesmo já esqueceu. Mostra que ele não tem mais nenhuma relação com o PSL.”
Reação do partido
Após a troca de farpas, parlamentares do partido se dividiram entre “bolsonaristas” e “bivaristas”. Um grupo de deputados aliados a Bolsonaro enviou uma carta cobrando “novas práticas” da direção da legenda, o que seria uma espécie de ultimato para que não houvesse uma saída em debandada da sigla. Pelo menos 27 dos 53 deputados federais afirmaram a intenção de se unir para deixar o partido, mas sem o risco de perder o mandato por infidelidade partidária.
Em meio à disputa, Bolsonaro e mais 21 parlamentares pediram acesso às contas do partido nos últimos cinco anos para fazer uma auditoria, alegando que elas sempre são apresentadas à Justiça Eleitoral de forma precária. A iniciativa tinha como intenção pressionar Bivar.
Enquanto isso, a Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação contra Bivar, com o objetivo de investigar as supostas candidaturas laranjas. A ação inflamou ainda mais a ala “bivarista” do PSL, que já pedia o afastamento de parlamentares pró-Bolsonaro das funções no partido.
Guerra das listas
Na noite desta quarta-feira (16), no entanto, a crise se agravou ainda mais. Um áudio do presidente Bolsonaro, em conversa com seus aliados, foi divulgado. Na gravação, ele falava em articular a remoção do cargo do líder do PSL na Câmara dos Deputados, Delegado Waldir.
Em seguida, foram protocoladas duas listas de assinaturas na secretaria Geral da Mesa na Câmara em apoio ao deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que assumiria o cargo com uma eventual deposição de Waldir. Ambas foram feitas por por parlamentares ligados ao presidente da República e tinham 26 e 24 assinaturas, respectivamente.
Após o episódio, o delegado afirmou, em reunião interna da ala ligada ao presidente do partido, que vai “implodir” o presidente Jair Bolsonaro. “Eu vou implodir o presidente. Aí eu mostro a gravação dele. Não tem conversa. Eu implodo ele. Eu sou o cara mais fiel. Acabou, cara. Eu sou o cara mais fiel a esse vagabundo. Eu andei no sol em 246 cidades para defender o nome desse vagabundo”, afirmou, em áudio obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo
A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) havia assinado a lista em apoio a Waldir. Em razão disso, foi substituída, também na quinta-feira, na liderança do governo no Congresso pelo senador Eduardo Gomes (MDB-GO).
Próximos passos
Com o mais novo capítulo da crise no PSL, não só o destino dos membros do partido, como a agenda de governo, também estão em jogo. Após a aprovação da reforma da Previdência, que deve acontecer na semana que vem, é improvável que a gestão de Jair Bolsonaro tente emplacar ou aprovar novas reformas ainda neste ano, como estava previsto. Isso porque, com um número menor de apoiadores e com clima de tensão dentro do partido, a possibilidade de aprovação de novas pautas é praticamente impossível.
Ontem, o próprio novo líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes, disse que o restante da agenda de grandes projetos do governo – incluindo a reforma tributária – ficará para o ano que vem. O foco da articulação em 2019, segundo ele, será aprovar o Orçamento de 2020.
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