Articulada por Bolsonaro, troca de líder do PSL na Câmara é novo capítulo da crise na sigla

  • Por Jovem Pan
  • 17/10/2019 06h28
Matheus Bonomi/Estadão ConteúdoEduardo disse que ficará no cargo até dezembro

A crise no PSL teve mais um capítulo nesta quarta-feira (16). Um grupo de deputados do partido decidiu destituir o líder da bancada na Câmara dos Deputados, Delegado Waldir, para dar lugar a Eduardo Bolsonaro. O pedido de troca foi feito pelo próprio presidente Jair Bolsonaro.

Áudios divulgados mostram o presidente pedindo apoio a deputados do PSL para retirar o líder da sigla na Câmara. “Olha só, nós estamos com 26, falta uma assinatura para a gente tirar o líder, tá certo, e botar o outro”, disse.

No início da noite, os deputados do PSL entregaram um requerimento com 27 assinaturas, pedindo a troca do líder da bancada na Câmara. No entanto, logo em seguida, o deputado Delegado Waldir apresentou uma lista com 32 assinaturas para retomar a liderança. Somadas, as duas listas contêm 59 assinaturas, seis a mais do que o número de deputados do partido.

O mal estar entre os parlamentares teve início no dia anterior, quando Delegado Waldir orientou o PSL a obstruir uma votação de interesse do governo. A tentativa não deu certo, e os deputados aprovaram a medida provisória que tratava da reestruturação administrativa da da Casa Civil e da Secretaria de Governo.

O Delegado Waldir faz parte da ala do PSL ligada ao presidente Luciano Bivar, e a manobra de terça-feira (15) foi interpretada como um ato contra o governo.

Após entregar o requerimento solicitando a destituição de Waldir do cargo, o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo, nomeou Eduardo Bolsonaro como o sucessor. O filho do presidente afirmou que deve ficar no cargo até dezembro.

“Inicialmente eu não queria ser líder, mas é o nome em que tem a maior convergência dentro dos deputados e, dessa maneira, o meu compromisso é ficar até dezembro, oportunidade em que teremos eleições no partido para escolher o líder do ano que vem. A minha intenção é apenas manter o status quo”, garantiu.

Pelas regras internas da Câmara, a escolha do líder partidário é oficializada por documento endereçado ao presidente da Casa. Agora, caberá à área técnica fazer a contagem das assinaturas das listas, já que, somando os dois documentos, apareceram seis assinaturas a mais do que número de deputados do partido. O caso será enviado ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

*Com informações da repórter Natacha Mazzaro