Bolivianos no Brasil sofrem com incertezas e temem por futuro do país

  • Por Jovem Pan
  • 12/11/2019 06h49
EFEO número de bolivianos no Brasil já ultrapassou o de venezuelanos e de haitianos

A crise na Bolívia preocupa, também, os bolivianos que vivem no Brasil. Concentrada em São Paulo, a comunidade boliviana é formada, sobretudo, por imigrantes sem registro.

No último dia 20, 46 mil bolivianos que vivem legalmente em território brasileiro foram às urnas e ajudaram a reeleger Evo Morales, mas a renúncia do então presidente criou um clima de incerteza mesmo entre os que vivem por aqui há décadas.

O boliviano Blas Mamani tem 48 anos e mora há 27 no Brasil. Ele veio em busca de melhores oportunidades e criou a família na capital paulista e celebra o fim da era Evo Morales, mas teme pelos pais e irmãos, que não saem de casa desde o início dos protestos.

O número de bolivianos no Brasil já ultrapassou o de venezuelanos e de haitianos nos últimos anos. Mesmo assim, o professor de Relações Internacionais das Faculdades Integradas Rio Branco (FRB), Pedro Costa Júnior, afirma que o fluxo migratório tende a se intensificar ainda mais, mesmo após a renúncia de Morales.

“Com essa crise que há, agora, de instabilidade política, é que deve ter alguma espécie de fluxo migratório para cá [Brasil]. Se fala em diversos cenários, né, se fala, inclusive, em guerra civil na Bolívia. O jogo está totalmente aberto, não se sabe o que vai acontecer, as ruas estão tomadas”, explica.

A representante do movimento Las Calles Bolivia, Anelín Suárez, diz que a crise vai forçar uma fuga de ex-funcionários do governo Morales. “Os únicos que querem sair agora são os do movimentos do socialismo, porque o povo não vai abandonar as ruas até que nós tenhamos uma Constituição, de nossa presidente interina, não vamos abandonar os bloqueios e não vamos abandonar os pontos de bloqueio”, garante.

Anelín mora em Santa Cruz de La Sierra, maior cidade da Bolívia, e acredita que as manifestações, apesar de violentas, criaram um sentimento de união entre os bolivianos.

*Com informações da repórter Nanny Cox