Evo Morales perde apoio de militares e renuncia à presidência da Bolívia

O anúncio acontece logo após as Forças Armadas da Bolívia pedirem a entrega do cargo ao presidente. ‘Vou encaminhar minha carta de renúncia para a Assembleia’, disse Morales

  • Por Jovem Pan
  • 10/11/2019 18h05
REUTERS/CARLOS GARCIA RAWLINSEvo Morales, ex-presidente da Bolívia desde 2006

O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou neste domingo (10) que renunciou ao seu mandato. O anúncio veio logo após as Forças Armadas da Bolívia pedirem a sua renúncia durante coletiva de imprensa.

Após Morales anunciar a entrega do cargo, o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, também renunciou ao posto. Morales e Linera apareceram juntos de surpresa em um vídeo no qual fizeram um apelo pela pacificação do país, que é palco de vários protestos de opositores do governo que eles formavam.

A crise política se deve às acusações de fraude na apuração dos votos das eleições de 20 de outubro, nas quais o agora ex-governante foi reeleito para um quarto mandato em primeiro turno. Morales ocupa a presidência da Bolívia desde 2006.

“Renuncio ao meu cargo de presidente para que (Carlos) Mesa e (Luis Fernando) Camacho não sigam perseguindo dirigentes sociais. Quero dizer que a luta não termina aqui. Os humildes, os pobres, os setores sociais, nós vamos continuar com a luta por igualdade e paz. É importante dizer ao povo que é minha obrigação como presidente buscar essa pacificação”, afirmou Morales.

Desde o início da crise, confrontos entre simpatizantes e opositores do político têm até o momento saldo de três mortos e mais de 400 feridos. “Grupos estão conspirando contra a democracia [da Bolívia]. Alguns membros dos partidos da oposição nos levaram até a violência. E, por esta e muitas razões, estou renunciando. Vou encaminhar minha carta de renúncia para a Assembleia”, disse.

Em seu pronunciamento, Morales também classificou a atual situação da Bolívia como “golpe cívico”. O político declarou ainda que estará em breve na cidade de Cochabamba, onde iniciou sua carreira política, após uma série de rumores sobre sua saída do país. “Não tenho porque fugir, porque não roubei nada”, afirmou.

Ainda neste domingo, enquanto ocupava a presidência da Bolívia, Morales havia convocado novas eleições gerais.

A decisão foi tomada após a divulgação do resultado de uma auditoria da Organização dos Estados Americanos (OEA), que identificou irregularidades no pleito de 20 de outubro e recomendou uma nova votação.

O Ministério Público do país também informou que vai processar os membros do Tribunal Supremo Eleitoral por “supostos atos irregulares” nas eleições de 20 de outubro e e dois ministros de Morales renunciaram dizendo que suas decisões buscam ajudar na pacificação do país.

Ainda neste sábado (9), o presidente da Câmara dos Deputados da Bolívia, Víctor Borda, também renunciou depois que manifestantes atacaram sua casa, na cidade de Potosí. “Desisto da Câmara dos Deputados (…), espero que seja para preservar a integridade física do meu irmão que foi feito refém”, disse. Além de renunciar à presidência da Câmara, Borda também abdicou ao cargo de deputado.

O ministro de Minas, César Navarro, também deixou o cargo depois que uma multidão incendiou sua casa, também em Potosí. Ainda no sábado, o ministro dos Hidrocarbonetos, Luis Alberto Sánchez, renunciou.

*Com informações da EFE e Estadão Conteúdo