Bolsonaro critica STF por investigação sobre vazamento de inquérito da Polícia Federal

Corte volta nesta terça-feira aos trabalhos e deve analisar recurso do presidente para não depor à PF sobre o tema

  • Por Jovem Pan
  • 01/02/2022 09h18 - Atualizado em 01/02/2022 10h48
Isac Nóbrega/PR Jair Bolsonaro Ana Paula afirmou que Jair Bolsonaro é o 'maior protetor da Constituição' atualmente

As vésperas do retorno dos trabalhos do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou o Judiciário. Ao comentar a investigação sobre o vazamento de um inquérito da Polícia Federal (PF) sobre um ataque hacker ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bolsonaro disse que a Justiça tem agido como partido político: “Aquele inquérito que eu revelei na segunda live, ele era sigiloso ou não? Quero perguntar para vocês, se responderem, eu continuo, senão, eu vou embora. Ele era sigilo ou não? Respondam. Vocês não sabem? Era sigiloso ou não? Não. Parabéns. Não era sigiloso. Transformou-se em sigiloso depois da live. O que nós temos é que acreditar na Justiça. Quando a Justiça começa a agir com um partido político, entreguei na mão do advogado”.

A sessão para abertura dos trabalhos do STF está marcada para as 1o horas da manhã e será feita em uma cerimônia virtual. Com o aumento no número de ocupação de leitos de UTI por conta casos de gripe e também da Covid-19, as sessões no Supremo serão feitas por videoconferência durante o mês de fevereiro. Entre outros temas nessa retomada, o plenário do STF deve analisar um recurso de Bolsonaro, que seguiu orientação da Advocacia-geral da União e não depôs à PF sobre o suposto vazamento, mesmo após ordens seguidas do ministro Alexandre de Moraes.

Para o deputado Filipe Barros (PSL-PR), que participou da live em que o presidente falou sobre a investigação, não há nada a esconder. “A delegada diz que há provas de crime cometidos por mim e pelo presidente Bolsonaro, não nos indicia por conta do foro privilegiado, indicia o coronel Cid, ajudante de ordens do presidente Bolsonaro, o que é um absurdo sem tamanho. E, portanto, nós vamos tomar as medidas jurídicas cabíveis para que ela seja responsabilizada pelos atos que ela própria tem tomado desde o inquérito das fake news”, afirmou.

O Tribunal Superior Eleitoral também abre o ano judiciário nesta terça-feira em sessão virtual presidida pelo ministro Luís Roberto Barroso às 7 horas da noite. A promessa para o retorno é dar mais segurança e clareza ao sistema de votação. Uma comissão de transparência com representantes de vários setores, incluindo o exército, foi criada no fim do ano passado para as eleições de 2022. Em dezembro, militares da área cibernética das Forças Armadas voltaram a pedir explicações sobre o funcionamento das urnas eletrônicas ao TSE. Eles querem detalhes sobre a segurança dos votos e procedimentos técnicos e de transparência das eleições. Mas, até o momento, a equipe técnica do TSE não respondeu às dúvidas e sugestões dos militares, tampouco disponibilizou a documentação solicitada. Em nota à imprensa, o TSE informou que o assunto será levado ao presidente da corte, ministro Barroso, na retomada das atividades. A corte eleitoral pondera, no entanto, que os questionamentos apresentados pela equipe de defesa cibernética da forças armadas tramitam de forma sigilosa a pedido do próprio exército.

*Com informações da repórter Iasmin Costa