Bolsonaro nega orçamento secreto de R$ 3 bilhões e fala em ‘zero corrupção’ no governo

Ministro da Secretaria-geral de União, Onyx Lorenzoni, reforçou a fala do presidente e classificou a denúncia como fake news

  • Por Jovem Pan
  • 12/05/2021 09h08 - Atualizado em 12/05/2021 10h32
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDOO ministro explicou que as emendas em questão, chamadas de RP9, chegaram a ser vetadas pelo presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro negou que o governo tenha um “orçamento secreto” de R$ 3 bilhões para distribuir emendas parlamentares em troca de apoio no Congresso Nacional. A denúncia foi feita pelo jornal O Estado de São Paulo, que também aponta um superfaturamento na compra de tratores. Em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse que existe “zero corrupção” no governo e classificou a reportagem como invenção. “Inventaram que eu tenho orçamento secreto agora. Tenho um reservatório de leite condensado, três milhões de latas. Isso é sinal que eles não tem o que falar. O orçamento foi aprovado, discutido. Agora, apareceu R$ 3 bilhões. Só os canalhas do O Estado de São Paulo para escrever isso aí.”

Quem também contra-atacou nesta terça-feira, 11, foi o ministro da Secretaria-geral da Presidência, Onyx Lorenzoni. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele classificou a reportagem como “fake news” e afirmou que vai processar o Estadão. “Primeiro, é irresponsabilidade do Estadão. E a falta de vergonha na cara de quem escreveu a matéria. Vai tomar processo.” O ministro explicou que as emendas em questão, chamadas de RP9, chegaram a ser vetadas pelo presidente Jair Bolsonaro ao serem aprovadas pelo Congresso, em 2019, mas o veto foi derrubado. Segundo ele, é um caso diferente de escândalos como o Mensalão. “Aonde que tem qualquer conotação com o Mensalão? É muita cafajestice dizer isso. É falta de vergonha na cara. Mensalão não era dinheiro para comprar parlamentar. Era dinheiro na cueca, na mala. Não tem nada a ver com isso.”

Em audiência na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi questionado mais de uma vez por deputados da oposição sobre o suposto orçamento — mas não respondeu sobre o assunto. Para o deputado Ivan Valente (Psol), a matéria do Estadão relata uma compra de votos. “Isso é crime de responsabilidade, é prevaricação e desvio de finalidade. Improbidade administrativa. Quero saber porque vossa excelência não vetou esse arranjo de corrupção que é a compra de votos que está sendo feita aí.” O Ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, pediu que o suposto superfaturamento de tratores seja investigado pela Polícia Federal e Controladoria-Geral da União. O foco da investigação seria a Codevasf, companhia estatal que atua nos Vales do São Francisco e do Parnaíba — onde teria ocorrido a elevação de preços.

*Com informações do repórter Levy Guimarães