‘Brasil é o país que está se saindo melhor após a pandemia’, afirma Salim Mattar

Economista acredita que o presidente eleito em 2022 vai encontrar um país em melhores condições que muitos outros do mundo; ele ainda disse entender que, após as eleições, a polarização deverá se manter, mas em debates mais civilizados

  • Por Jovem Pan
  • 05/08/2022 09h55 - Atualizado em 05/08/2022 11h19
Antônio Cruz/Agência Brasil Salim Mattar olha para frente com um fundo azul Salim Mattar é ex-secretário de Desestatização, Desinvestimentos e Mercados do governo Bolsonaro e economista do Instituto Liberal

O economista e presidente do conselho do Instituto Liberal, Salim Mattar, concedeu uma entrevista ao vivo para Jornal da Manhã, da Jovem Pan News, nesta sexta-feira, 5, para falar sobre diversas questões da atualidade como a economia com alta inflação, as eleições polarizadas, privatização da Petrobras e carga tributária nacional. Segundo ele, o Brasil é o país que está se saindo melhor após a pandemia da Covid-19 no seu desenvolvimento e na economia. Ele não relativizou os problemas da economia e disse que não há um cenário ideal, mas comparou com outros cenários do mundo e, assim, considerou o país na melhor situação possível. “Durante essa crise da pandemia, em que os governos progressistas, social-democratas e de esquerda de alguma forma interferiram na vida, na liberdade do cidadão e na sociedade, a economia ficou para depois, então, o Brasil, dentre todos esses países, é hoje o país que melhor está se saindo pós-pandemia. Nós temos sim elevada inflação e taxa de juros, temos 9 milhões de desempregados, sim, nós temos muitos problemas, mas os nosso problemas são relativamente menores do que os problemas dos nossos pares. O próximo presidente, não importa que seja o atual reeleito ou outro presidente, vai encontrar um país muito melhor do que os nossos pares, não que o país esteja em excelentes condições, não, mas ele está no caminho, com um plano de investimentos robusto para os próximos anos, com uma taxa de inflação descendente, nível de investimentos privados ascendente, e eu acredito que o quadro não é tão feio quanto pintam”, disse Mattar.

Mattar deu continuidade a sua crítica ao pensamento social-democrata, progressista e de esquerda: “Nós estamos diante de um momento terrível para a humanidade. Não basta apenas a pauta da ONU, agenda ONU 2030, estamos vendo Klaus Schwab defendendo que exista um grande Estado, estamos vendo que os países estão todos concordando em taxar as grandes companhias, então, é através do aumento de impostos, que o Estado vai gradualmente sufocar as empresas e a sociedade, de forma a se tornar mais forte e poderoso. O Estado deseja que o cidadão seja subserviente a ele e que dele dependa. Por exemplo o que estamos vendo na Holanda, com a redução da produção agrícola, é cada vez mais o cidadão ficar dependente, absolutamente dependente, do Estado, principalmente na alimentação. Essa é uma forma que os sociais-democratas e a esquerda progressistas desejam, no futuro, controlar o mundo. Existe hoje uma grande panaceia em todo o mundo contra a agricultura. Estamos vendo isso na Argentina, na Holanda, na França. No Brasil, estamos vendo um dos candidatos [à Presidência da República] falando que o agro é o grande inimigo. Nós precisamos, de alguma forma, fazer com que as ideias conservadoras, as ideias de direita, possam continuar sendo expostas. Num momento em que a liberdade de expressão está ‘em cheque’, nós não podemos deixar de expor nossas ideias em contraponto à agenda progressista”. Para ele, a polarização política que o Brasil enfrenta, divido entre bolsonaristas e lulistas, conservadores e progressistas, é um fato natural que vem ocorrendo em todo o mundo e que sempre irá existir. Ele defende que as divergências de opinião sejam respeitadas e diz acreditar que, após as eleições, o debate política se fará de forma mais civilizada. “O brasileiro não é educado, mas é um povo civilizado”.

Questionado sobre uma eventual privatização da Petrobras, Mattar afirmou que a dificuldade na questão se daria pela necessidade dos governos manterem cargos públicos de poder para trocar por favores políticos em suas gestões. “O modus operandi dos partidos políticos brasileiros necessita, dentro do chamado governo de coalizão, de uma distribuição de poderes, para que haja governabilidade. Estatais e ministérios entram nessa conta. Não é necessário um país tenha estatais. Ao contrário, as empresas estatais são, todas elas, sem exceção, absolutamente ineficientes. A Petrobras está tendo um presidente a cada 18 meses. Como uma empresa pode ter sucesso e ser bem administrada substituindo o presidente assim? Isso é uma demonstração da ineficiência da estatal. Já vi até alguns candidatos falando da não privatização da Petrobras. OK, temos que respeitar a opinião de outras partes, o fato é que não é defensável manter uma Petrobras como estatal. Quem pretende manter as estatais é porque pretende de alguma forma fazer mal uso delas (…) Neste momento, a Petrobras de um lucro espetacular, o que significa que a empresa está sendo bem administrada, dando elevados lucros, mas, como ela é uma estatal e o governo possui um certo poder, há uma interferência. Isso é natural. Todo controlador interfere na sua empresa. Os controladores têm o direito legal de interferir nas empresas, limitados à legislação. O controlador interferir não é o problema, o maior problema é quando ele interfere para o mal.

Sobre o custo Brasil, que onera empresas privadas pela alta carga tributária, Mattar disse ver o problema no Congresso Nacional, onde entende que falta consenso por uma reforma tributária. “A reforma tributária sempre foi muito difícil de ser implementada no Brasil. Nunca houve um certo consenso da sociedade, porque, para uma reforma, vai acontecer naturalmente que alguns segmentos serão perdedores e outros ganhadores. Então, como essa reforma traria uma certa insegurança, as forças contrárias são maiores que as forças favoráveis (…) Na minha passagem por Brasília [no governo Bolsonaro], descobri cheguei à conclusão que a instituição mais forte do Brasil é a Câmara dos Deputados. De fato, nossos deputados, temos aí uma base de governo, mas temos uma dispersão muito grande. E quando se fala em certos assuntos que são delicados, da pauta de valores conservadores ou de impostos, há uma grande dificuldade de se buscar consenso. Nós temos que tomar consciência como brasileiros de que a carga tributária brasileira era de 24% em 1985, quando o social democrata José Sarney assumiu o poder. E, agora, a carga é de 34%. Houve um aumento de 40% da carga tributária nesses últimos 35 anos de governos sociais-democratas, mas a sociedade brasileira não vê uma melhoria de 40% no SUS, na educação, no saneamento e na segurança pública. Ao contrário, há uma deterioração da qualidade da educação, na segurança e também em outros serviços para o cidadão”, defende.