Brasil concentra quase 80% das mortes de mulheres grávidas ou no pós-parto pela Covid-19

Estudo demonstra que, diferentemente de outros países, as gestantes brasileiras estão morrendo por falta de assistência do sistema de saúde

  • Por Jovem Pan
  • 05/08/2020 06h40 - Atualizado em 05/08/2020 08h09
PixabaySegundo o levantamento, 23% dessas mães não tiveram acesso a leitos de UTI e 36% não chegaram a ser entubadas

O Brasil concentra quase 80% das mortes de grávidas e de mulheres no pós-parto por complicações da Covid-19 em todo o mundo. De acordo com o Ministério da Saúde, até o dia 18 de julho, foram registrados 160 óbitos nessas condições. Um grupo de obstetras e enfermeiras de instituições públicas comparou esses dados com os números total de casos semelhantes no mundo. O estudo demonstra que, diferentemente de outros países, as gestantes brasileiras estão morrendo por falta de assistência do sistema de saúde. Segundo o levantamento, 23% dessas mães não tiveram acesso a leitos de UTI e 36% não chegaram a ser entubadas. Além disso, 15% também não receberam assistência respiratória.

A obstetra Melania Amorim, uma das responsáveis pela pesquisa, afirma que as grávidas são mais suscetíveis à Covid-19, mas não deveriam morrer em um número tão elevado no país. Em São Paulo, muitas grávidas também apresentaram complicações com a doença. Segundo a coordenadora da área de Obstetrícia do Hospital das Clínicas, a diferença é que o local foi totalmente preparado para receber essas gestantes. Rossana Pulcinelli afirma que mais de 190 grávidas e puérperas foram internadas no hospital desde o início da pandemia: 42 delas foram parar na UTI e 5 morreram.

As especialistas explicam ainda que grávidas com mais idade ou com problemas de saúde podem estar mais suscetíveis a contrair a Covid-19. Mesmo assim, as complicações da doença podem aparecer para qualquer uma delas. Por isso, é importante que as gestantes continuam com as medidas de distanciamento social e higiene, além de fazer o pré-natal. O estudo ainda tem conclusões sobre os bebês dessas mulheres mas, segundo as médicas, a maioria das crianças nasce sem a doença.

*Com informações da repórter Beatriz Manfredini