Instituto Butantan triplica produção de vacinas e pretende alcançar mercado mundial

  • Por Jovem Pan
  • 20/02/2020 09h12 - Atualizado em 20/02/2020 09h25
Marcelo Camargo/Agência BrasilO instituto vai entregar 75 milhões de doses neste ano

O Instituto Butantan triplicou no último ano a produção da vacina da gripe. A informação foi confirmada, em entrevista ao Jornal da Manhã, pelo diretor do Instituto, Dimas Tadeu Covas. Segundo ele, o  aumento dos casos de morte por H1N1 fez com que a produção da vacina fosse intensificada.

De acordo com o diretor, o Butantan começou a produzir a vacina da gripe há 20 anos. A vacina é o principal produto do instituto que, recentemente, tem investido na duplicação da sua capacidade, chegando a produzir, em média, 10% da necessidade mundial em termos de volume. Neste ano, o instituto irá entregar ao Ministério da Saúde 75 milhões de doses e tem esperança de produzir para o mercado mundial.

“Estamos esperançosos inclusive de introduzir essa vacina no mercado mundial. A campanha pode ser feita em dois períodos do ano: no primeiro semestre para hemisfério Sul, como no caso do Brasil, e no segundo para o hemisfério norte. Nós atendemos todas as necessidades do Brasil no primeiro semestre e agora pretendemos produzir para o mercado.”

Outro ponto de atenção do instituto é a vacina contra a dengue. Segundo Dimas Tadeu, a vacina está em desenvolvimento desde 2014 no Butantan. No ano passado, o instituto terminou a  terceira fase clínica do estudo, incluindo mais de 17 mil voluntários, e agora aguarda os resultados dos estudos para que o produto seja registrado na Anvisa e inicie sua produção e distribuição.

“Nós já temos uma fábrica em operação. Na hora que estes resultados aparecerem, registrando o produto na Anvisa, pode entrar na produção da vacina e distribuição. É o primeiro caso de uma vacina desenvolvida no hemisfério Sul que vai ser transferida para o mundo todo. Já temos acordos com empresas multinacionais, como a MSD, que irão incorporar a nossa vacina para o mundo todo, porque é um problema mundial, não é só do Brasil”, conclui o diretor.

Para manter a instituição, o Butantan mantém uma fundação de apoio que recebe o ressarcimento do governo federal pelas vacinas produzidas. A proposta do diretor é criar um Centro Mundial de produção de vacinas para intensificar a produção e distribuição das vacinas para o Brasil e para o mercado global, investindo em novas estruturas e permitindo ofertas de novos soros e vacinas.

Coronavírus

Embora o Brasil não tenha nenhum caso confirmado de coronavírus, o Butantan já acompanha as pesquisas de órgão americanos para uma possível vacina para a doença. A proposta, segundo o diretor, é que assim que for descoberta a vacina, ela seja trazida ao instituto para que o país possa também iniciar a produção.

Para ele, analisando a dinâmica da epidemia, fica evidente que o coronavírus vai se espalhar pelo mundo. “Devemos nos preparar e o mundo está muito preocupado. Dentre as ações é o desenvolvimento de uma vacina, que vai de seis meses a um ano. Mas seguramente os próximos meses vão definir o rumo desta epidemia, pode desaparecer como aconteceu antes, ou pode se cronificar, como a gripe”, afirmou.

Até o momento, cinco casos suspeitos são acompanhados pelo Ministério da Saúde e pelos órgãos estaduais. O total de mortes por coronavírus ultrapassa 2.006 mil casos. Segundo informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), são 75.204 casos confirmados em 25 países, sendo 74.280 casos localizados na China.