‘Câmara dos Deputados não pode ser anexo do Palácio do Planalto’, defende presidente do PSB

Carlos Siqueira falou sobre compromissos firmados entre Baleia Rossi e a oposição em defesa da democracia

  • Por Jovem Pan
  • 29/12/2020 08h55
Fotos Públicas/Arquivo PSBPara ele, é importante entender a conjuntura e lembrar das manifestações realizadas ao longo de 2020 contra o Congresso e STF

O presidente do PSB, Carlos Siqueira, afirmou que a oposição espera que o candidato à Presidência da Câmara dos Deputados, Baleia Rossi, assuma o compromisso de que a Casa seja como a Constituição determina caso vença o pleito contra o candidato do governo, Arthur Lira. De acordo com Siqueira, o ideal é que o líder seja independente, respeitando a autonomia, não atropelando o regimento no funcionamento e nas votações e que instale CPIs sempre que houver um número de assinaturas suficientes. “[Espera-se] que a Câmara não se transforme em um anexo do Palácio do Planalto, porque ela não é e nem pode ser. O PSB já decidiu, por maioria, que não vai apoiar um candidato com apoio do presidente Jair Bolsonaro.”

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, Carlos Siqueira ressaltou que não há compromisso contra privatização nos documentos assinados — ao contrário do que afirmam algumas especulações. “Eles tem natureza genérica porque, sob ameaça de autoritarismo, é importante que coisas óbvias fiquem assumidas. Sobre as privatizações, cada partido tem o seu papel e cada um vota de acordo com a sua visão de desenvolvimento”, disse. O presidente do PSB destacou que, se Bolsonaro não desejasse incluir temas antidemocráticos e de costumes na Casa, que fogem da pauta econômica, ele não precisaria entrar na briga sobre a Presidência da Câmara — porque tanto Rossi quanto Lira defendem as propostas de economia do governo. “Compromisso de Baleia é não permitir que isso faça parte do processo legislativo.”

De acordo com Carlos Siqueira, a única maneira de garantir esse compromisso é discutindo e firmando documentos em que o candidato expressa publicamente suas alianças. “Não estamos vivendo um momento comum. Estamos vivendo um momento em que grupos de extrema direita se articulam com apoio do presidente Jair Bolsonaro para pregar o fim da democracia. Nós todos temos tradição de defesa da democracia e não podemos assistir isso”, completou. Para ele, é importante entender a conjuntura e lembrar das manifestações realizadas ao longo de 2020 contra o Congresso Nacional e o STF. “Bolsonaro continua sendo o presidente e precisamos ter cautela para que essas iniciativas não se repitam.”