Capacidade de lucro dos bancos brasileiros “assusta” revista inglesa

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 04/08/2018 10h09
Marcos Santos/USP ImagensThe Economist destaca que o Banco Central do Brasil derrubou a taxa básica de juros do país de 14,25% em outubro de 2016, para 6,5% em março deste ano

Diz o poeta que onde há tiro, porrada e bomba, há grandes oportunidades para se ganhar dinheiro.

E quem sabe bem disso são os banqueiros do Brasil. A revista inglesa The Economist está surpresa com a capacidade incondicional dos bancos ganharem dinheiro a rodo no nosso país, mesmo em um quadro de terra praticamente arrasada.

A edição desta semana da publicação, que é considerada por muitos como uma bíblia do liberalismo econômico, traz uma extensa reportagem sobre esse fenômeno curioso e bastante peculiar de Pindorama.

A Economist diz que a economia brasileira gosta de extremos. Viveu a hiperinflação dos 1980, passou pela super contração de 14 a 16. E agora vive uma calmaria irritante – no sentido de que nada está acontecendo para fazer o país crescer.

Mesmo assim, Itaú e Bradesco, os dois maiores bancos privados do país conseguem prosperar numa velocidade incrível.

O ROE das instituições impressiona. A sigla em inglês para Retorno Sobre Patrimônio Líquido mede o quanto uma empresa gerou de lucro a partir de seus recursos próprios.

O do Itaú está em 20,1%. Do Bradesco não fica muito abaixo. A maior parte dos bancos europeus, ensina a The Economist, não sai de um dígito neste quesito.

A publicação ainda lembra que o Banco Central do Brasil derrubou a taxa básica de juros do país de 14,25% em outubro de 2016, para 6,5% em março deste ano, fazendo que alguns especialistas antecipassem perdas para os bancos. O que claramente não aconteceu.

A reportagem cita que o consumidor comum no Brasil paga escandalosos 20 pontos percentuais a mais do que deveriam quando pegam dinheiro emprestado.

São muitas as peculiaridades do Brasil que ajudam os bancos a manter um spread alucinante, sustentando esses ganhos que impressionam até os mais liberais.

Burocracia, lentidão do judiciário, inadimplência e uma confortável falta de concorrência.

Algo que o vencedor, ou vencedora, da próxima eleição presidencial brasileira vai ter que considerar: como fazer o sistema bancário se tornar um negócio um pouco mais normal, vaticina a revista inglesa.

Enquanto isso, seguimos pagando esse pato.