Cármen Lúcia destaca importância de apurar acusação de ‘gravidade incontestável’ contra Salles

Questão levantada pelo delegado da PF, Alexandre Saraiva, fala sobre uma suposta atuação com fins de atrapalhar os trabalhos na apuração da maior apreensão de madeira do Brasil

  • Por Jovem Pan
  • 28/04/2021 07h47 - Atualizado em 28/04/2021 10h23
Marcos Corrêa/PRApós apresentar a notícia-crime, o delegado foi substituído do comando da Superintendência do órgão no Amazonas

A ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, emitiu despacho na terça-feira, 27, à Procuradoria-geral da República solicitando manifestação sobre duas notícias-crime apresentadas contra Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente. As acusações foram feitas pelo delegado da Polícia Federal, Alexandre Saraiva, e versam sobre uma suposta atuação com fins de atrapalhar o trabalho da Polícia Federal na apuração da maior apreensão de madeira do Brasil. As palavras usadas por Cármen Lúcia à PGR foram “gravidade incontestável” e descrito com “minúcia e objetividade” em relação às acusações. De fato, cabe à Procuradoria-geral avaliar se há indícios suficientes de crime para abrir inquérito.

A ministra ainda disse que “se não é admissível abuso persecutório, por igual não é aceitável omissão persecutória a permitir a continuidade de práticas contrárias ao direito e que mantêm a sociedade em situação de calamidade antijurídica e criminosa”. A questão levantada pelo delegado tem a ver com a Operação Handroanthus GLO, que focava na extração ilegal de madeira na Amazônia no final do ano passado. Segundo Saraiva, o ministro “patrocina diretamente interesses privados” e integra organização criminosa na condição de “braço forte do Estado”. Após apresentar a notícia-crime, o delegado foi substituído do comando da Superintendência do órgão no Amazonas sob justificativa oficial de que era mudança prevista para ocorrer. Em nota, o Ministério do Meio Ambiente informou que “a resposta será dada em juízo”.

*Com informações do repórter Fernando Martins