Casos da Covid-19 disparam 250% na maior comunidade indígena do Brasil

Entre agosto e outubro, o número de infecções pelo coronavírus passou de 335 para 1.202 registros, com 23 mortes confirmadas ou sob suspeita nas terras Yanomami

  • Por Jovem Pan
  • 20/11/2020 06h21 - Atualizado em 20/11/2020 11h24
Wikimedia Commons - CmacauleyÉ possível que aproximadamente 10 mil Yanomamis e Ye'kwanas tenham sido expostos ao vírus

Os casos de coronavírus nas terras Yanomami aumentaram mais de 250% em três meses e a pandemia está totalmente fora de controle nessa região da Amazônia, segundo estudo de associações indígenas. O relatório, intitulado “Rastros da Covid-19 na Terra Indígena Yanomami e a omissão do Estado”, informa que o número de ocorrências foi elevado de 335 em agosto para 1.202 em outubro, com 23 mortes confirmadas ou sob suspeita. Esses dados, coletados com o apoio de lideranças locais e associações da área, fazem parte dos levantamentos conjuntos com a Secretaria de Saúde Indígena do Ministério da Saúde com o balanço realizado no dia 18 de novembro. Como o isolamento social entre os moradores é impraticável nas aldeias, é possível que aproximadamente 10 mil Yanomamis e Ye’kwanas tenham sido expostos ao vírus, em um universo de 27 mil pessoas, representando mais de um terço da população total de acordo com os responsáveis pelo relatório.

A terra Yanomami, entre os estados do Amazonas e Roraima, é a maior reserva indígena brasileira, com uma área de 96.000 km2, sendo o lar de quase 27.000 indígenas, alguns isolados. Os primeiros casos e a primeira morte pela Covid-19 na região, na fronteira com a Venezuela, foram registrados em abril. Associações indígenas afirmam que a disseminação da doença nas terras Yanomami foi ampliada pela presença de garimpeiros ilegais. As entidades indicam que existem cerca de 20.000 pessoas trabalhando ilegalmente na área. As lideranças que se reuniram em julho com o vice-presidente da república, Hamilton Mourão, para exigir a expulsão dos garimpeiros das terras Yanomami, querem protocolar o documento junto ao governo para uma solução do problema.

*Com informações do repórter Daniel Lian