Cedae estaria postergando definição do valor da água para retardar privatização

Discussões sobre o leilão de concessão de áreas da Companhia começaram em 2018, mas até agora o valor da água que será vendida ao futuro concessionário não foi definido pela estatal

  • Por Jovem Pan
  • 21/11/2020 09h56 - Atualizado em 21/11/2020 09h57
JOÃO CARLOS GOMES/MYPHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOTambém não há possibilidade de publicar o edital de concessão da Cedae em 2020, como vem sendo previsto pelo BNDES

O governo do Rio de Janeiro tem até o começo da próxima semana para definir o preço que a Companhia de Água e Esgoto (Cedae) vai vender o insumo para o eventual futuro concessionário privado, que será encarregado pela distribuição. A decisão está sob pena de colocar em risco o leilão de concessão da empresa, que está em tese programado para acontecer no primeiro trimestre do ano que vem. Segundo fontes ouvidas pela Jovem Pan, a Cedae estaria postergando a definição do valor da água de forma proposital para retardar, ou até mesmo inviabilizar, a concessão.

Isso porque há forças políticas contrárias a essa privatização da estatal fluminense de água e esgoto. As discussões sobre o leilão de concessão de duas de quatro áreas de negócios da Cedae começaram em 2018, mas até agora o valor da água que será vendida ao futuro concessionário não foi definido pela estatal. Os prazos do leilão ficaram apertados por causa das eleições deste ano. Se até a semana que vem não for definido o valor da água por m³, não haverá tempo hábil para análise e eventual aprovação pelos atuais prefeitos que estão no fim do seu mandato. Ou seja, seria assunto para os futuros mandatários, eleitos em 2020.

De acordo com as fontes, isso significaria trazer de volta o processo à estaca zero. Também não há possibilidade de publicar o edital de concessão da Cedae em 2020, como vem sendo previsto pelo BNDES, autor da modelagem de concessão. O governo do estado disse à Jovem Pan que a Companhia ainda estuda o valor ideal e justo da água, de forma a atender aos interesses da população fluminense. O modelo de concessão desenhado pelo BNDES prevê que o concessionário privado possa explorar os serviços de distribuição, coleta e tratamento por 35 anos, mas terá que fazer investimentos de cerca de R$ 30 bilhões. A Cedae continuaria estatal na captação de água e também no tratamento do insumo.

* Com informações do repórter Rodrigo Viga