Cientistas dos EUA descobrem homem com ‘superanticorpos’ contra a Covid-19

O imunologista Marcelo Bossois explica que a condição, que protege até de mutações do coronavírus, é um fenômeno raro

  • Por Jovem Pan
  • 18/03/2021 10h19 - Atualizado em 18/03/2021 16h42
SUAMY BEYDOUN/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDODe acordo com o estudo, mesmo se os anticorpos fossem diluídos em 1 para mil, seriam capazes de matar 99% dos vírus ativos

Uma descoberta está intrigando pesquisadores nos Estados Unidos. No ano passado, o escritor americano John Hollis, de 54 anos, viu o amigo com quem divide apartamento ser diagnosticado com a Covid-19. Hollis relata que apesar do susto, não desenvolveu a doença. Meses depois, o escritor foi convidado por um médico e professor da Universidade George Mason, para participar de um estudo. O resultado do teste mostrou que Hollis havia sido infectado pelo coronavírus e desenvolveu superanticorpos que o protegem, inclusive de mutações. De acordo com o imunologista Marcelo Bossois, esse é um fenômeno raro. “5% da população tem essa característica peculiar na produção de anticorpos que são muito mais hábeis para estruturas específicas do vírus, como o domínio de ligação do receptor. O domínio de reação do receptor é a estrutura que o anticorpo se liga na proteína do vírus, inativa a proteína do vírus facilita que as células imunitárias venham englobar esse vírus e destruí-lo.”

Em entrevista à BBC, o médico responsável pelo estudo explicou que os anticorpos desenvolvidos por ele atacam diversas partes do vírus, ao mesmo tempo que o eliminam rapidamente. Ainda segundo o imunologista Marcelo Bossois, a descoberta contribui positivamente com a ciência, pois permite que os especialistas estudem diferentes formas de atacar o vírus. “Acho bem interessante essa questão desses pacientes, até porque a gente poderia estudar geneticamente esses pacientes e tentar, de alguma maneira, usar esses dados e fazer com que as vacinas então pudessem estimular determinados perfis imunológicos nossos para haver uma preponderância maior de anticorpos de alta avidez”, disse. De acordo com o estudo, mesmo se os anticorpos fossem diluídos em 1 para mil, seriam capazes de matar 99% dos vírus ativos.

*Com informações da repórter Caterina Achutti