Com estoques no limite, hospitais privados pedem que Saúde repasse kit intubação

Associação alerta que os insumos, considerados fundamentais para o tratamento de pacientes graves da Covid-19, devem durar apenas mais três ou quatro dias

  • Por Jovem Pan
  • 26/03/2021 07h32 - Atualizado em 26/03/2021 07h32
Felipe Dalla Valle/Palacio Piratini/Pool / Latin America News Agency/ReutersEm nota, o Ministério da Saúde informou que está distribuindo mais de 2,5 milhões de unidades de medicamentos para a rede pública

Hospitais da rede privada de todo o país só têm estoque do chamado kit intubação para mais três ou quatro dias. O alerta é da Associação Nacional de Hospitais Privados e da Federação Brasileira dos Hospitais. Os relaxantes musculares e sedativos são fundamentais para o tratamento de pacientes graves de Covid-19. De acordo com a Anahp, o aumento de pedidos pelo Ministério da Saúde para atender a rede pública está pressionando a indústria nacional, que não tem conseguido atender toda a demanda.

O diretor-executivo da entidade, Marco Aurélio Ferreira, pede que o governo libere parte dos medicamentos. “Por mais que nós, enquanto entidade, reunimos os nossos associados e estamos buscando oportunidades no exterior possibilidades de importação, sejam elas importações aéreas, por mais que a gente consiga, estamos com prazo de 15 a 20 dias para que esses insumos cheguem ao Brasil”, disse. O presidente da Federação Brasileira de Hospitais Adelvanio Morato, lembra que o kit também é usado em pacientes que não têm a doença. “Estamos vendo a mídia dizer o seguinte: os pacientes estão morrendo na fila à espera de UTI, eles agora vão morrer por falta de medicamentos. A gente vai chegar em um ponto que, parece que estamos patinando na areia, estamos informando isso há semanas, ‘gente, vai acontecer’, parece que no Brasil as coisas precisam acontecer para que depois tome providência.”

Em nota, o Ministério da Saúde informou que está distribuindo mais de 2,5 milhões de unidades de medicamentos para a rede pública. A pasta garantiu que os insumos estarão disponíveis em menos de 72 horas. O montante foi adquirido das empresas Cristália, Eurofarma e União Química. A Cristália afirmou que quadruplicou a produção desde o início da pandemia e que o acordo com o governo federal não representa “prejuízo dos compromissos já contratados com hospitais particulares”. União Química entregou nesta quinta-feira, 26, um lote com 165 mil doses de sedativos ao Ministério da Saúde. A empresa promete repassar cerca de 1,5 milhão de unidades ao SUS até o fim do mês.

*Com informações da repórter Nanny Cox