Com medo de morrer, viúva de miliciano Adriano da Nóbrega não pretende se entregar

Júlia Lotufo conhecia muito das relações e negócios ilegais do ex-campeão da PM

  • Por Jovem Pan
  • 29/03/2021 10h14 - Atualizado em 29/03/2021 10h15
Divulgação / Polícia Civil Adriano da Nóbrega chefiou um grupo de extermínio conhecido como Escritório do Crime, com forte atuação no Rio de Janeiro

A viúva do miliciano Adriano da Nóbrega, Júlia Lotufo, não pretende se entregar para as autoridades do Rio de Janeiro por temer pela própria vida. Segundo pessoas próximas a ela e advogados, Júlia entende que pode ser vitima de queima de arquivo. Ela conhecia muito das relações e negócios ilegais do ex-campeão da PM que virou miliciano e foi morto em uma ação da polícia baiana em fevereiro de 2020.

Júlia era a contadora do esquema ilegal do marido, que tinha restaurante, empresa de alimentação, haras e outros negócios que eram utilizados justamente para lavar o dinheiro ilícito vindo dos grupos paramilitares. Adriano da Nóbrega chefiou um grupo de extermínio conhecido como Escritório do Crime, com forte atuação na zona oeste da capital fluminense e também liderou milícias nesta região. Ele foi capitão da Polícia Militar e chegou a ser homenageado algumas vezes na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Condecorações oferecidas, inclusive, pelo então deputado estadual e atual senador Flavio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro.

A ex-mulher de Adriano da Nóbrega e a mãe chegaram a trabalhar no gabinete do então deputado. As investigações do Ministério Público apontam que cerca de R$ 400 mil chegaram a ser transferidos das contas dessas pessoas ao ex-assessor parlamentar Fabricio Queiroz — que era uma espécie de “chefe” do esquema de rachadinha de Flávio Bolsonaro. Ainda de acordo com as investigações, Júlia Lotufo sabia bem das relações de Adriano com políticos e bandidos.

*Com informações do repórter Rodrigo Viga